Testes também marcaram o primeiro reabastecimento totalmente automatizado entre dois A330 MRTT. Foto: Ministério da Defesa de Singapura via Airbus.

Em parceria com a Força Aérea Real da Singapura (RSAF) e a Agência de Ciência e Tecnologia de Defesa (DSTA) da Singapura, a Airbus Defence completou a fase de desenvolvimento do sistema de reabastecimento automático para o A330 MRTT (Multi Role Tanker Transport). 

Chamado de A3R, o sistema torna o processo de reabastecimento em voo (REVO na sigla utilizada no Brasil) totalmente automatizado, reduzindo a carga de trabalho do Operador de Reabastecimento Aéreo, melhorando os níveis de segurança e otimizando a taxa de transferência de combustível em condições operacionais, a fim de maximizar a superioridade aérea. 

De acordo com a fabricante europeia, os engenheiros queriam uma nova fase para o já consagrado reabastecedor. Através do projeto SMART MRTT, a aeronave ganhou um novo conjunto de capacidades, incluindo soluções de manutenção aprimoradas e o próprio A3R. 

O sistema automatizado foi revelado em 2018, e os primeiros contatos automatizados entre aeronaves foi realizado no mesmo ano em conjunto com a Força Aérea Real Australiana, onde um avião-tanque A310 da própria companhia realizou sete contatos de reabastecimento automatizados com um A330 australiano. 

Em 2020 a Airbus anunciou a primeira operação de reabastecimento totalmente automático com sistema de lança. A campanha de testes de voo envolveu um avião-tanque Airbus A310 com um caça F-16 da Força Aérea Portuguesa.

A330 SMART MRTT. Imagem: Airbus/Divulgação.

No mesmo ano foi anunciada a colaboração com a Singapura, que se tornou um parceiro chave para o desenvolvimento do sistema. Os testes realizados no país no início de 2021 envolveram 88 contatos “secos” (sem a transferência de combustível entre aeronaves) e “molhados” (com transferência), totalmente automatizados. 

Durante os testes, 88 contatos secos e molhados (sem e com transferência de combustível, respectivamente) totalmente automatizados e a transferência de quase 30 toneladas de combustível foram executados com sucesso, incluindo as primeiras operações totalmente automatizadas com o A330 MRTT e os caças F-16D/D+ da RSAF atuando como receptores. 

Todos os testes necessários para a coleta de dados do A3R com o caça-bombardeiro F-15SG, também foram concluídos, incluindo voos operacionais para demonstrar o desempenho do A3R em um cenário representativo de missão. 

Tivemos a oportunidade de testar nosso sistema com diferentes tipos de receptores, garantindo o encaixe certo de nossos sistemas, ao mesmo tempo em que coletamos dados importantes para concluir o desenvolvimento do A3R. A equipe conseguiu testar os limites do sistema com sucesso, verificando sua robustez e capacidade de rastrear automaticamente os receptores com configurações variadas”, disse Luis Miguel Hernández, gerente do Airbus SMART MRTT. 

Hernández também destacou a parceria com a RSAF e a DSTA: “Construímos uma relação extraordinária baseada na confiança mútua. Equipes de todos os lados trabalharam como uma única unidade durante a campanha de teste e é sempre um prazer voar com uma tripulação tão profissional. Eles são a primeira nação parceira envolvida no desenvolvimento do SMART MRTT e estamos honrados em tê-los a bordo.”

A Airbus também destaca que os testes com o A3R não foram isentos de desafios. Além da complexa organização técnica inerente a um desenvolvimento desta magnitude e do contexto onipresente COVID, as equipes se depararam com mais um desafio: a tempestade ‘Filomena’, uma inesperada e histórica tempestade de neve que assolou Madri, incluindo as instalações da Airbus Getafe, dias antes da partida da equipe para Cingapura.

As instalações da Airbus em Getafe cobertas por neve. Foto: Airbus.

“Com toneladas de neve bloqueando cada centímetro de Madri forçando o fechamento das instalações da Airbus, um tremendo esforço coletivo, correr contra o relógio foi necessário para garantir que as equipes pudessem decolar e chegar a Cingapura a tempo de iniciar a campanha”, disse Luis Miguel Hernández. 

Após o sucesso da campanha e com a coleta de todos os dados críticos, as equipes estão agora se preparando para a próxima fase, incluindo a preparação da versão final do A3R e a preparação para um roteiro muito exigente que levará à certificação no final de 2021. 

A330 MRTT e F-16D da Força Aérea Real de Singapura. Foto: AIrbus/Divulgação.

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