Depois de vários atrasos por parte da Airbus, a diretoria da Azul finalmente assumiu que a entrega do primeiro A330-900neo pode ser postergada ainda mais.

O compartilhamento dessas informações ocorreu durante o anúncio de resultados da companhia no 3º trimestre de 2018, onde a diretoria da empresa também falou sobre o futuro da companhia aérea, com seus novos aviões de custo reduzido de operação.

Em uma pergunta da Renata Faber, sobre mercado internacional, o engajamento do A330neo acabou acontecendo devido a uma explicação do John Rodgerson, presidente da Azul, sobre um corte na oferta futura, que será causada pelo atraso da entrada do A330neo da Azul na frota.

Sem mais aviões de longo-curso em sua frota, a Azul diminuiu sua perspectiva de crescimento no mercado internacional para os próximos meses. O próprio A330-900neo ao substituir uma aeronave A330-200 representa um crescimento da oferta, mas não é isso que acontecerá de início.

Ao mesmo tempo Rodgerson explicou que a companhia não está com uma “sobra de aeronaves A330” em sua frota, e que todos os aviões são utilizados em sua capacidade possível.

Foto – Azul/Divulgação

Em uma outra pergunta de Matt Fallon, também no assunto dos atrasos das entregas do A330-900neo, Abhi Shah, presidente de Receitas da Azul, disse que a Airbus informou anteriormente um atraso, possibilitando a entrega do primeiro A330neo da Azul somente no final de janeiro de 2019.

Como a aeronave entraria na frota da companhia aérea no fim da alta temporada de verão, a Azul optou por adiar a entrega para algo próximo de maio, como forma de inserir o avião nas rotas de longa distância em junho ou julho.

Ele também relatou que o atraso do A330neo travou uma decisão da companhia de abrir novas rotas no mercado internacional. A diretoria da companhia ainda não sabe se conseguirá receber dois aviões A330neo na próxima alta temporada de 2019.

Essa decisão reportada por Shah é baseada nos custos de aquisição de uma aeronave, para retirar o equipamento da fábrica a companhia paga um valor para a retirada do avião, no ato em que assina um documento repassando a posse de operação da aeronave para a mesma. Além disso a Azul também iniciaria o pagamento das parcelas de leasing em janeiro, caso optasse por receber o A330neo nesta data. O voo de entrega também é de responsabilidade da empresa, assim como o treinamento dos tripulantes.

Com esta condição, a Azul preferiu economizar nos gastos até maio e manter a mesma oferta no mercado de voos internacionais de longa distância até meados de 2019.

Atualmente a Azul opera com sete aviões A330-200 na sua frota, configurados com 272 assentos. O A330neo da Azul será configurado com 302 assentos, representando um acréscimo de 30 assentos na oferta e um menor custo por assento devido aos novos motores.

 

O Airbus A330neo

Equipado com motores Rolls-Royce Trent 7000, o A330neo será oferecido às companhias aéreas em duas versões. Com acomodação para 257 passageiros (A330-800neo) e 287 passageiros (A330-900neo).

O Trent 7000 da Rolls-Royce é o único motor disponível para o A330neo, com o dobro da relação de bypass do Trent 700 que alimenta o A330ceo, a Rolls-Royce disse que o Trent 7000 reduz o consumo de combustível em até 10%, com todas as alterações a redução deverá ser de 15%, em relação à geração anterior.

O A330neo também é equipado com o novo interior Air Space da Airbus, preparado exclusivamente para essa nova geração do A330neo.

A Airbus já registrou 215 pedidos firmes para o A330neo. No Brasil a Azul encomendou 5 unidades do A330-900neo.

 

Via – Seeking Alpha (dados da conferência de resultados da Azul)