F-16 AM MLU Noruega
F-16AM da Noruega taxia na base de Bodø armado com mísseis AIM-120 AMRAAM e IRIS-T. Foto: RNoAF.

O Governo da Noruega vai pagar US$ 20,9 milhões na manutenção de seus caças F-16 Fighting Falcon antes de vendê-los para a Romênia e uma companhia privada dos EUA. Os aviões já foram completamente substituídos pelo F-35 de 5ª Geração.

Conforme relatado pelo portal Flightglobal, a companhia Kongsberg Aviation Maintenance Services recebeu na terça-feira (24) um contrato de 200 milhões de coroas norueguesas da Agência Norueguesa de Material de Defesa (NDMA) “para revisar e preparar para venda um lote adicional de aeronaves F-16.” Os aviões são todos provenientes da frota da Força Aérea Real da Noruega (RNoAF). 

Segundo a Kongsberg, a NDMA “celebrou um contrato com a Draken International para a venda de até 12 F-16 ex-noruegueses e está em processo de conclusão da venda de outras 32 aeronaves para a Romênia”.

F-16 da Romênia- Foto: Bogdan Pop/Força Aérea Romena

No mesmo dia o ministro da Defesa romeno, Vasile Dincu, revelou que o governo do país estava acelerando o processo de compra dos caças F-16AM/BM ex-RNoAF. O país tem demonstrado interesse nos jatos desde o ano passado, quando Oslo anunciou a aposentadoria de suas aeronaves. 

“Nos últimos dois meses, aceleramos nossos contatos com o lado norueguês e com os EUA, para acelerar a aquisição do F-16″, afirmou Vasile em comunicado transmitido pela emissora Digi24 na terça-feira (24). 

A manutenção, realizada pela companhia em suas instalações em Kjeller, perto de Oslo, também inclui trabalhos nos motores Pratt & Whitney F100. “As aeronaves retornarão ao status operacional e, em seguida, serão mantidas para que estejam prontas para o serviço novamente.”

F-16 Noruega
F-16AM norueguês. Foto: Gerard van der Schaaf

“Aguardando a aprovação oficial das autoridades norueguesas e americanas, espera-se que as primeiras aeronaves sejam entregues à Draken este ano e à Romênia em 2023”, acrescenta o comunicado.

“Estou confiante de que nossa aeronave servirá bem a Draken e à Romênia por muitos anos”, diz Magnus Hansvold, diretor de descarte de material do NDMA.

No início de janeiro de 2022 a RNoAF encerrou mais de 42 anos de operação com os F-16. A aposentadoria dos aviões foi marcada pela assunção ao serviço de defesa aérea pelos F-35A furtivos. 

B-2A escoltado por três caças F-35A da Noruega. Foto: USAF

A Noruega foi um dos primeiros países a operar o F-16, recebendo suas primeiras unidades em 1980, encomendadas em 1975. Mais tarde os caças foram atualizados com o programa MLU (Mid Life Upgrade), sendo redesignados F-16AM e BM. Das 57 aeronaves da frota agora aposentada, 12 já foram vendidos à companhia civil Draken dos EUA, que também comprou aviões holandeses do mesmo modelo.

Draken é uma das empresas mais reconhecidas no ramo de serviços aggressor/adversary. As companhias deste mercado atuam no treinamento de combates aéreos, fazendo o papel do inimigo e servindo de alvo simulado para aviadores de forças aéreas governamentais.

Dessa forma, os Estados economizam ao contratar as horas de voo das empresas, sem precisar pagar para manter os aviões. Todavia, apesar de ter contratos com diversas empresas deste setor – incluindo a própria Draken – os Estados Unidos ainda mantém os chamados Esquadrões Aggressor na sua Força Aérea e Marinha (nesta última são chamados de adversary).