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Projeção do futuro NGF/FCAS.

Preocupações e desentendimentos com compartilhamento de trabalho e gestão do projeto estão ameaçando inviabilizar o lançamento da próxima fase do Future Combat Air System (FCAS), que está sendo desenvolvido pela França, Alemanha e Espanha.

Eric Trappier, CEO da Dassault Aviation, diz que há “muitos obstáculos” que impedem um acordo entre as nações para lançar a Fase 1B do programa FCAS.

Como parte do projeto, a Dassault está liderando o desenvolvimento de um caça de sexta geração, o New Generation Fighter (NGF), enquanto a Airbus Defense & Space é o parceiro júnior no trabalho. 

A inclusão da Espanha no projeto que nasceu de maneira binacional (apenas com França e Alemanha) trouxe complicações na divisão de trabalhos, disse Trappier durante uma coletiva de imprensa de resultados em 5 de março.

A França é representada pela Dassault, enquanto a Airbus representa a Alemanha e a Espanha. Isso levou a uma diluição da participação da Dassault de 50% para 33%, enquanto a Airbus agora tem 66%.

Trappier diz que “aceitou” essa redução, mas que é essencial que as “funções sejam bem distribuídas” para que o projeto funcione de maneira adequada. 

Se a fórmula de um terço for aplicada a todos os pacotes de trabalho, “até mesmo aos pacotes de trabalho estratégicos”, será mais difícil chegar a um acordo, diz ele.

O CEO também destaca que  boa parte do obstáculo está nos Estados participantes. Se as responsabilidades forem entregues à Airbus apenas para satisfazer as preocupações nacionais de compartilhamento de trabalho, “então se torna difícil para a Dassault desempenhar o papel de contratante principal”.

Mock Up do NGF/FCAS.

A Airbus aceita o papel de liderança da Dassault, diz ele, mas esse não é necessariamente o caso entre as três nações parceiras. Isso também se aplica às demandas por propriedade intelectual compartilhada, acrescenta. “Não é entre a Airbus e a Dassault, é entre os estados.”

De acordo com o Flightglobal, até o momento, apenas um único demonstrador doo NGF está planejado, baseado em um caça Rafale, mas para preservar as capacidades de design, os sindicatos alemães pediram a construção de uma segunda aeronave, usando o Eurofighter como base.

Vale lembrar que o Eurofighter é usado pelas forças aéreas da Espanha e Alemanha. 

Embora Trappier diga que não tem problema com a ideia de uma segunda aeronave de demonstração, ele aponta que ela seria construída na mesma linha de produção e com as mesmas especificações do modelo original.

A nível técnico, os parceiros industriais franceses no esforço FCAS – Dassault, Safran, Thales e o fabricante de mísseis MBDA – poderiam, em teoria, construir o seu próprio futuro caça, mas “a verdadeira questão, o verdadeiro desafio é a eficiência”, afirma.

Apesar dos desafios, a Dassault continua confiante no programa FCAS: “Não acho que vá morrer logo, mas não posso dizer que o [projeto] não esteja em um estágio difícil. É onde estamos, mas ainda acredito nisso.”

Enquanto isso, a Dassault continua a trabalhar na evolução do Rafale em antecipação a um pedido da França para um quinto lote de produção previsto para 2023.

A Dassault não recebeu novos pedidos do caça em 2020, embora já tenha garantido contratos para 18 aeronaves para a Força Aérea Grega, que vai receber seis aeronaves recém-construídas e 12 exemplares usados ​​da Força Aérea Francesa.