COMAC C919
Comac C919

Devido à pandemia e restrições no Canadá, a chinesa COMAC decidiu adiar uma nova fase de testes do C919 no frio extremo.

Agora os testes serão realizados no outono deste ano no hemisfério norte, ou seja, entre setembro e dezembro de 2021. De acordo com a International Test Pilots School (ITPS), que gerenciará os testes, o adiamento foi realizado pelas restrições implementadas pelo Canadá para a entrada de estrangeiros no país.

Deste modo, e pela proximidade da primavera, os diretores da COMAC precisam esperar a formação de gelo na na região dos Grandes Lagos, no sul de Ontário, que acontece entre outubro e novembro. 

A COMAC já realizou anteriormente alguns testes no norte da China, na região da Mongólia, em frio extremo. No entanto, ainda não está claro se a COMAC precisa desses testes para concluir a certificação do C919, algo previsto para ocorrer ainda em 2021.

Comac c919
Foto – COMAC/Reprodução

A COMAC também espera entregar o primeiro C919 para um cliente em 2021, prazo que fica cada vez mais apertado para a estatal chinesa.

O programa de testes e certificação do C919 avançou bastante após as fases iniciais do projeto, onde o C919 precisou receber diversas atualizações e melhorias de projeto. O avião chinês já cumpriu muitos testes importantes, como a operação em altas temperaturas e no congelante inverno do Deserto da Mongólia.

É possível que a Comac tenho optado por repetir esse tipo de teste com outro protótipo do C919 no Canadá, para conferir novamente esse processo de certificação em um clima frio do ocidente, já mirando uma possível venda do avião para empresas fora da China. A certificação em outros países também pode ser agilizada com esse teste da Comac fora da China.

 

Por qual motivo realizar testes no frio intenso?

Com uma temperatura muito baixa, algumas partes do avião podem quebrar ou rachar, pela característica da dilatação diferente dos materiais utilizados nas aeronaves. Os engenheiros que projetam o avião já esperam esse comportamento, e atualmente poucos aviões sofrem desse problema durante os testes.

Mas da mesma forma, os testes são focados em verificar o nível de eficiência dos lubrificantes, sistemas de aquecimento da aeronave e funcionamento das partes móveis, que podem sofrer com a formação de gelo em seus sistemas de atuação.

Em condição de frio extremo, como na Sibéria, um avião também pode sofrer problemas em suas borrachas e plásticos, que não suportam a baixa temperatura e ficam quebradiços, causando problemas durante a utilização do avião.

Um outro interessante teste, citado pelo AirlinesRatings, é de ligar os motores após 24 horas do avião sem uso, e verificar como uma partida a frio é realizada, tanto para os motores como para a APU.

Adicionalmente a tripulação verifica como é pousar e decolar em pistas “congeladas”, bem como verificar o uso dos reversores dos motores na neve, e também alguns procedimentos de emergência, como uma Decolagem Abortada (RTO, em inglês), realizada pelos pilotos quando encontram alguma falha no avião, e a velocidade está abaixo do V1.

Os testes são realizados por todas as fabricantes de aeronaves para garantir que a aeronave possa operar em todas as condições climáticas extremas.