COMAC C919
Foto - COMAC/Reprodução

O mais novo avião desenvolvido na China, o C919, vai visitar em março deste ano o Canadá para fazer testes no clima de extremo frio do local. 

Os testes vão ocorrer a partir da Canadian pilot training school International Test Pilots School (ITPS), localizada em Londres, Ontário. O local fornecerá a logística dos testes, além de fornecer um piloto de testes e serviços meteorológicos durante os testes.

Apesar de agendar uma série de testes em frio intenso, o C919 finalizou há poucos dias uma série de testes semelhantes em Hulunbuir, no Norte da China, aproveitando o intenso frio da Mongólia no inverno.

Os testes no Deserto da Mongólia duraram por volta de 23 dias, entre decolagens e pousos foram avaliadas as condições da aeronave em uso extremo.

Foto – COMAC/Reprodução

É possível que a Comac tenho optado por repetir esse tipo de teste com outro protótipo do C919 no Canadá, para conferir novamente esse processo de certificação em um clima frio do ocidente, já mirando uma possível venda do avião para empresas fora da China. A certificação em outros países também pode ser agilizada com esse teste da Comac fora da China.

No entanto, devido às condições da pandemia, a Comac pode enfrentar alguns problemas de atrasos no processo de certificação no Canadá. Os testes agendados para março podem ser atrasados para outubro, se a Comac encontrar dificuldades para a entrada de cidadãos chineses no Canadá.

 

Por qual motivo realizar testes no frio intenso?

Com uma temperatura muito baixa, algumas partes do avião podem quebrar ou rachar, pela característica da dilatação diferente dos materiais utilizados nas aeronaves. Os engenheiros que projetam o avião já esperam esse comportamento, e atualmente poucos aviões sofrem desse problema durante os testes.

Mas da mesma forma, os testes são focados em verificar o nível de eficiência dos lubrificantes, sistemas de aquecimento da aeronave e funcionamento das partes móveis, que podem sofrer com a formação de gelo em seus sistemas de atuação.

Em condição de frio extremo, como na Sibéria, um avião também pode sofrer problemas em suas borrachas e plásticos, que não suportam a baixa temperatura e ficam quebradiços, causando problemas durante a utilização do avião.

Um outro interessante teste, citado pelo AirlinesRatings, é de ligar os motores após 24 horas do avião sem uso, e verificar como uma partida a frio é realizada, tanto para os motores como para a APU.

Adicionalmente a tripulação verifica como é pousar e decolar em pistas “congeladas”, bem como verificar o uso dos reversores dos motores na neve, e também alguns procedimentos de emergência, como uma Decolagem Abortada (RTO, em inglês), realizada pelos pilotos quando encontram alguma falha no avião, e a velocidade está abaixo do V1.

Os testes são realizados por todas as fabricantes de aeronaves para garantir que a aeronave possa operar em todas as condições climáticas extremas.