Em uma entrevista para a Bloomberg, divulgada nesta sexta-feira, David Neeleman forneceu ainda mais detalhes sobre sua nova companhia aérea, chamada por enquanto de Moxy Airways.

Neeleman começou a entrevista citando pautando as suas ideia para a Moxy. Primeiramente trata-se de uma companhia Ultra Low Cost, assim como a Spirit e a Southwest.

Por ser uma companhia Ultra Low Cost, que trabalha com preços bem abaixo das tradicionais, é possível esperar o citado “menu de serviços”, que nada mais é do que aquelas opções já conhecidas para vender serviços extras, como o despacho de bagagem, maior espaço para as pernas e alimentação a bordo.

“A JetBlue era uma empresa de atendimento ao cliente que por acaso voava com aviões”, disse Neeleman em uma entrevista, falando publicamente de seus planos pela primeira vez. “A Moxy vai levar isso um pouco mais longe. Será uma empresa de tecnologia que por acaso voa com aviões”.

Vale ressaltar que Neeleman já fundou três companhias aéreas na América do Norte, e atualmente tem participação em três companhias, Azul, TAP e Aigle Azur, que também serão parceiras da Moxy Airways.

O nome da companhia e sua sede não foram decididos, reportou Neeleman. Detalhes da rede de rotas ainda estão sendo trabalhados e Neeleman ainda está montando seu grupo de investidores.

 

Frota

Neeleman disse que o memorando de entendimento assinado com a Airbus neste ano, e que também foi responsável por revelar os novos investimentos do empresário, será exercido ainda neste ano.

Isso significa que a encomenda firme para as 60 aeronaves Airbus A220-300 será assinada ainda em 2018, logo depois de obter a autorização para operar nos EUA.

Para o Airbus A220-300, David Neelemann deixou a entender que quer mesclar parte da experiência com a JetBlue e a Azul.

Nas duas companhias ele começou com aviões novos, o que possibilitou uma maior economia de combustível, mas aumentou os custos com leasing. Na JetBlue ele optou por rotas mais centrais, com foco em Nova York, na Azul a intenção era operar em aeroportos regionais para ganhar um mercado que até então deixava de registrar uma concorrente por aqui.

Para ele o grande incentivador será o baixo consumo do A220-300, que é equipado com motores super-econômicos e capacidade para até 160 passageiros, algo comparável ao 737 MAX 7, mas com menor consumo, em comparação com o avião da Boeing.

“Os custos de viagem da aeronave e os motores eficientes em termos de combustível fornecerão um amortecedor contra os preços voláteis dos combustíveis”, disse ele. 

Essa foi uma fórmula utilizada na JetBlue, enquanto as companhias aéreas americanas apostavam em aviões usados e com maior consumo algo que está sendo revertido atualmente, devido ao maior preço do combustível em todos os países.

Ao mesmo tempo ele utiliza a fórmula da Azul, de entrar em mercados onde não vai achar muitas concorrentes, como descrevemos abaixo.

 

Rotas

O foco da Moxy Airways será em rota com demanda mas pouca oferta, notavelmente as que ligam cidades do interior aos grandes centros, portanto, podemos esperar vários voos longos e curtos, para adaptar a malha a esse estilo de operação.

Por enquanto Neeleman não quer revelar mais sobre as rotas atendidas pela companhia em um futuro próximo, talvez esse seja um plano para evitar concorrência.

“O mantra será tentar levar as pessoas até duas vezes mais rápido, com tarifas de 30% a 50% mais baixas do que as que estão pagando hoje”, disse Neeleman. “Eu ficaria surpreso se tivermos uma única rota na Moxy que tenha um único concorrente em voos diretos.”