Os dois F-15EX do 85th Test and Evaluation Squadron em uma missão de reabastecimento em voo. Foto: Ethan Wagner/USAF.

Pouco tempo depois de ser recebido e apresentado oficialmente pela Força Aérea Americana (USAF), o F-15EX Eagle II já participou em um exercício de larga escala, o Northern Edge. Os dois primeiros F-15EX – de um lote inicial de oito aeronaves – abateram e foram abatidos por alvos simulados no treinamento que visava o embate contra um inimigo de mesmo nível. 

No Northern Edge, realizado no início de maio, os F-15EX voaram e se integraram com caças F-15C e E, Eagle e Strike Eagle, F-35 Lightning II e F-22 Raptor.

Atualmente em testes operacionais e de desenvolvimento, o objetivo da participação dos novos jatos era ver se eles poderiam desempenhar o papel de caça de superioridade aérea, agora cumprido nas Forças Aéreas de Combate pelo F-15C Eagle, além de trazer mais capacidades a esse tipo de missão, de acordo com o Tenente-Coronel John O’Rear do 84º Esquadrão de Teste e Avaliação, falando à Air Force Magazine

“Nós os voamos em formações de duas aeronaves com o F-15C e F-15E…”, diz o militar, afirmando também formações só de EX também foram realizadas, com as aeronaves prestando suporte à outros caças de quarta geração e integrando-se com os F-22 e 35 de quinta geração.

F-15C Eagle, F-15E Strike Eagle e F-15EX Eagle II voam juntos na Flórida na entrega do novo jato ao 85th TES. Foto: Tech. Sgt. John Raven/USAF.

Embora os F-15EX “contabilizassem alguns abates enquanto estavam lá”, O’Rear reconheceu que também houve algumas perdas.

“Se você fizer qualquer exercício de forças grandes e voltar com todos vivos – sem perdas azuis [azuis no caso são aliados]-, eu provavelmente diria que sua ameaça não é tão robusta quanto deveria ser, a fim de obter o aprendizado”, disse ele.

É importante explicar que, nesses tipos de exercícios, a parte importante é adestrar os participantes e aprender com os erros, e não ganhar 100% das vezes. Os debriefings e análises após o treinamento trarão dados importantes, mostrando onde cada participante acertou e, mais importante ainda, onde ele errou e deve corrigir. 

A ameaça era para ser uma “em que não temos a capacidade de sair… e ter zero perdas”, disse ele. A questão “não é vencer todas as partidas. É aprender onde estão nossos pontos fracos e como atenuamos essas lacunas de capacidade”, acrescentou O’Rear.

Sem detalhar sobre os eventuais abates contra o F-15EX, O’Rear explicou que, nesse tipo de ambiente, a maior parte das derrotas aliadas acontece no combate além do alcance visual (BVR). O dogfight – combate dentro do alcance visual (WVR) “não é algo que acontece um monte”, diz ele. 

F-15EX Eagle II em voo. Foto: Tech Sgt John McRell/USAF.

Os Eagle II também empregaram seu novo sistema de guerra eletrônica, o Eagle Passive Active Warning Survivability System (EPAWSS). Apesar do sistema já ter sido empregado por um F-15E Strike Eagle modificado no exercício Black Flag, é a primeira vez que o novo jato emprega o sistema. 

“Ainda estamos coletando dados” sobre o desempenho do EPAWSS, mas os resultados iniciais “anedóticos” “parecem promissores”, disse O’Rear. “Em geral, parece que estava no caminho certo para o que esperávamos” no Northern Edge.

No exercício, cerca de 50 aeronaves da equipe vermelha (inimiga) voaram contra um número semelhante de aviões das forças azuis, disse ele. O EPAWSS “foi capaz de se integrar em um ambiente de grande força com várias fontes de… radiofrequência sendo transmitidas através do espaço aéreo… Ele foi capaz de processar isso”.

O novo conjunto de sistemas desenvolvido pela BAE Systems traz um aumento significativo nas capacidades da plataforma F-15 em defender e contra-atacar emissões eletrônicas, interferindo e confundindo sistemas de solo e aeroembarcados.

Empregando a suíte EPAWSS com sucesso, os F-15EX ainda permitiram que um F-35A pudesse se aproximar ainda mais de um alvo, o que, em uma eventual situação de combate real, aumentaria a probabilidade de destruição do alvo e sucesso da missão. 

“Quanto mais desordem, mais ataque eletrônico você tem, mais difícil será para os sensores inimigos trabalharem nisso.” O EPAWSS foi capaz de se integrar com “um ataque eletrônico coordenado em todo o pacote”.

Ao nos conectarmos com ativos de outras forças em um “ambiente de operações degradadas”, disse ele, “vimos muitos pontos onde estamos indo muito bem e outros onde precisamos de algum trabalho”.

Métodos de comunicação alternativos incluíram o enlace de dados Link 16 e “opções de gateway” em que uma aeronave intérprete traduz as formas de onda especiais de aeronaves furtivas entre si e aeronaves de quarta geração. Havia “redundância e eficácia em todo o pacote de força”, disse ele.

F-15E Strike Eagle com as antenas do sistema EPAWSS na cauda, ao lado dos estabilizadores horizontais. Foto: Ethan Wagner/USAF.

A ênfase do Northern Edge é diferente do mundialmente famoso Red Flag, realizado múltiplas vezes ao ano com a participação de outros países – o Brasil participou duas vezes -, onde os aprendizados são compartilhados com o resto da Força.

“Você tem a opção de usar táticas de linha de base, mas a ênfase não está apenas em conseguir atualizações para alas [das Forças Aéreas de Combate] e líderes de voo. É ir lá e fazer testes de ponta em um ambiente sofisticado, altamente contestado e degradado e ver se as novas táticas que estamos desenvolvendo são úteis ou são um obstáculo.”

O piloto ainda destacou as novas capacidades do F-15EX, como a tela sensível ao toque, o fly-by-wire, o próprio EPAWSS e a adição de mais dois hardpoints, o que aumenta a capacidade de transporte de armas do Eagle. “Sou um grande fã da tela de toque”, diz ele.

Cockpit do F-15QA Qatari Advanced. O cockpit do F-15EX é semelhante ao do QA. Foto: Boeing.

O F-15EX Eagle II é a versão mais avançada do F-15 Eagle, sendo bastante similar ao F-15QA adquirido pela Força Aérea do Catar, cujo um dos protótipos se envolveu em um incidente nesta semana

Um dos equipamentos de destaque é o Advanced Display Core Processor II, o mais rápido computador já usado por um caça, capaz de processar 87 bilhões de instruções por segundo. Seu principal sensor é o radar AESA AN/APG-82(V)1, o mesmo que será usado nos F-15E Strike Eagles modernizados. 

A USAF já adquiriu um lote inicial de oito aeronaves, e planeja comprar um total de 144 unidades.  

F-15EX Eagle II. Foto: Ethan Wagner/USAF.