Foto - Embraer

A Embraer não tem destaque apenas nas aviações executivas e comercial, com seu sucesso de vendas de aeronaves como a família ERJ e E-Jet.

No meio militar, durante esses 50 anos, a empresa brasileira conseguiu traçar uma boa rota, com boas e versáteis aeronaves, que trouxeram novas tecnologias à Embraer.

 

EMB 110 Bandeirante

Foto – Pedro Viana/Aeroflap

Para começar a falar das aeronaves do segmento militar da Embraer, precisamos começar a percussora de tudo. O Embraer 110, o mais conhecido como Bandeirante, teve, e ainda tem, uma importância dentro da Força Aérea Brasileira.

Desde quando começou a voar, o EMB-110 foi responsável por um grande salto dentro da FAB, suas capacidades de transporte de tropas e missões humanitárias são destaques na história da aeronave.

Foto do Bandeirante que será exposto. Foto – Pedro Viana/Aeroflap

Dentro da FAB, alguns esquadrões se destacam por usar o C-95M (designação do Bandeirante dentro da FAB, “M”, remete-se “Aeronave Modernizada”). Tem o 6º ETA (Esquadrão Guará), localizado na capital federal, que atende as demandas locais.

O Esquadrão Rumba 1º / 5 GAv, sediado na ALA 10, em Natal-RN, tem a nobre função de formar os novos aviadores da aviação de transporte e o C-95M faz parte desta etapa importante para a carreira profissional dos aviadores.


No sul do país, em Santa Catarina temos o Esquadrão Phoenix 2º/7º GAv. Esse esquadrão opera os famosos Bandeco-Patrulha que tem como objetivo missões de patrulha marítima, mesma função dos P-3 Orions do esquadrão Orugan.

 

EMB 120 Brasília

O Embraer 120 é um exemplo de uso misto entre a avião regional e na militar. O projeto é de 1979, e realizou seu primeiro voo em 1983.

Dentro da FAB, os EMB 120 foram chamados de C-97, ainda desempenham um papel de importância dentro da força aérea, como transporte de tropas, cargas e nobre missões de transporte de órgãos.

Os Esquadrões 3º ETA, 6º ETA, 7º ETA e Grupo Especial de Ensaios em Voo, se destacaram pelo uso da aeronave em diversas missões táticas da Força Aérea Brasileira.

 

EMB 312- T-27 Tucano

O Embraer T-27 Tucano foi um dos principais projetos do Kovács- Foto: FAB

O T-27 tucano é a segunda aeronave que vamos falar um pouco, esse treinador avançado da década de 80 trouxe um diferencial para a Força Aérea Brasileira, e está no roll de aeronaves de sucesso da Embraer.

A aeronave nomeada de Tucano, fez seu primeiro voo em agosto de 1980, desde então  o T-27 tucano alcançou um grande sucesso não só dentro da FAB, mas também em caráter internacional. O T-27 foi comercializado para países como a Argentina, Egito, França, Iraque, Paraguai, Peru e Venezuela.

Dentro da FAB, o T-27 Tucano tem um longa história, a começar pela formação dos aviadores da FAB na AFA, que no 4º e último ano fazem voos no T-27 Tucano onde aprimoram ainda mais as noções de voo e são colocando em um cenário de voo por instrumentos, novas manobras, algumas delas em formação o que é típico da aviação militar.

Não podemos deixar de falar da presença do T-27 Tucano de maior destaque foi dentro da Esquadrilha da Fumaça, por mais de 30 anos os T-27 mostraram o resultado da indústria aeronáutica brasileira, o profissionalismo dos aviadores militares brasileiros.

Com o T-27 alguns feitos grandes foram conquistados, como dois recordes mundiais que estão registrado no Guiness Book e apresentações no exterior, em regiões como América do Sul, Central e do Norte, bem como demonstrações em países do continente europeu.

O T-27 foi “aposentado da fumaça” em 2013 e deu lugar ao seu “irmão mais novo” A-29 Super Tucano.

 

E-99/ R-99/VC-99

Foto – FAB

Como dito no início deste artigo, a história da Embraer tanto comercial quanto militar se fundem e prova disso é o Bandeirante que teve uso em ambas aviações, a empresa repetiu o feito ao aproveitar a plataforma ERJ 145 como avião militar.

O ERJ dentro da FAB foi convertido para duas missões específicas de grande valor estratégico para a força aérea. O E-99 é um ERJ 145 modificado para função de avião–radar (foto acima). Em seu dorso percebe-se uma estrutura própria que é capaz de detectar alvos aéreos e a partir disso mandar tais informações para controles em terra.

VC-2 e ao fundo um VC-99,. Aeronaves que compõe o GTE (Grupo de Transporte Especial)

Outro avião de uso estratégico da aeronáutica, é o R-99, que tem como principal função um meticuloso rastreamento cartográfico em solo. Na parte de baixo da fuselagem se encontra um grande sensor responsável por fazer esse trabalho de ponto de vista estratégico para forças militares.

O Esquadrão Guardião sediado em Anápolis-GO, é lar das aeronaves que se tem algo estratégico para a aviação militar brasileira.

Como último exemplar de temos o VC-99, que tem como principal objetivo o transporte de autoridades e quando necessário, transporte de órgãos. Na FAB o GTE (Grupo de Transporte Especial) se destaca pelo uso da aeronave. Na mesma função e esquadrão temos o VC-2, um Embraer 190 que desempenha função de transporte Vip na FAB.

 

AT-26 Xavante

O Xavante ou EMB 326GB, assim como o AMX, que vamos falar dele abaixo, também foi um projeto de parceria internacional entre o Brasil e a Itália. O projeto deste jato é italiano é fez seu primeiro voo em 1957.

Um dos pontos-chaves do MB 326 foi a facilitada nas concessões de fabricação. Outras nações como a África do Sul e a Austrália construíram sob licença essa aeronave. Cada país com sua respectiva indústria aeroespacial.

No Brasil, o projeto e construção ficou a cargo da Embraer. Após todos os tramites para que fosse possível a construção, o então AT-26 Xavante, como foi nomeado pela FAB, fez seu primeiro voo em setembro de 1971, marcando assim um longo uso dentro da FAB e fora dela, pois os Xavantes produzidos pela Embraer foram exportados até para o Paraguai.

Um dos papéis de maior destaque do Xavante dentro da FAB foi no esquadrão Pacau e no Joker, esse último responsável pela formação dos novos pilotos de caça da FAB. Após a desativação do AT-26 Xavante dentro da FAB em 2010, o A-29 Super Tucano ficou responsável por formar nos novos caçadores da FAB e o F-5EM está à frente do Esquadrão Pacau, que hoje está sediado em Manaus-AM.

 

A-1 AMX

A-1BM AMX

O AMX, também conhecido A-1 dentro da FAB, é um caça-bombardeiro desenvolvido nos anos 80, por meio de um consórcio internacional entre a empresa italiana Alenia Aeronautica e a brasileira Embraer, que ficou responsável pelo desenvolvimento e fornecimento do sistema de trem de pouso do caça.

No cenário internacional o AMX foi usado em conflitos reais, como por exemplo, na guerra de Kosovo em 1991, onde a Força Aérea Italiana usou o caça para ataques ao solo e mais recentemente nas ações na Líbia em 2011.

A-1M AMX

O primeiro AMX foi entregue a FAB no ano de 1989 colocando uma nova gama tecnológica dentro da Força Aérea Brasileira.

No Brasil o caça de ataque ao solo se destacou nos esquadrões, 1º/16º Esquadrão GAV Adelphi, 1º/10º Esquadrão Poker e no 3º/10º GAV Centauro.

Dentro da FAB o caça recebeu as seguintes nomenclaturas, A-1A ,A-1B, RA-1 e A-1M, esse último remete às unidades que foram modernizadas pela Embraer, trazendo um glass cockpit para melhor uso dos pilotos, dentre outras tecnologias, nivelando assim para os padrões do F-5M e do Super Tucano.

O A-1 AMX tem usos específicos dentro da FAB, um deles é o ataque ao solo e também para missões de reconhecimento tático.

O AMX trouxe para a Embraer a experiência com a tecnologia Fly-By-Wire, que seria futuramente incorporada em seus jatos comerciais.

 

EMB 314 A-29 Super Tucano

A-29 Super Tucano do EDA.

O Embraer 314 Super Tucano foi desenvolvido pela Embraer nos anos 90, por um pedido da FAB para que se desenvolvesse uma nova aeronave de ataque leve.

A nova aeronave que foi desenvolvida com base no “irmão”, EMB-312, conhecido como T-27 Tucano, e foi introduzida na FAB no ano de 2001, onde foi assinado um acordo para o fornecimento de 76 aeronaves para Força Aérea Brasileira.

Manobra Espelhão realizado por seis caças A-29 da Fumaça.

O A-29 trouxe aos pilotos da FAB uma gama tecnológica moderna, aliado a uma gama de armas, como mísseis, metralhadoras, canhões. As utilidades do A-29 são múltiplas, vão desde policiamento de fronteiras, ataque ao solo e treinamento de pilotos.

Foto – Força Aérea Brasileira

No Brasil o A-29 Super Tucano é usado nos esquadrões 1º/3º GAV Esquadrão Escorpião, 2º/3º GAV Esquadrão Grifo, 3º/3º Esquadrão Flecha. Nestes três o uso das aeronaves é para o combate.

Já no 2º/5º GAV Esquadrão Joker, os Super Tucanos fazem o papel de treinar e formar nos novos pilotos de caça da Força Aérea Brasileira que após saírem da AFA, os que escolhem a aviação de caça vão para a ALA 10, em Natal-RN e fazem o curso de formação, após a conclusão os aviadores são designados para um dos três primeiros esquadrões acima mencionados e ficam por um tempo, só depois que vão para os Esquadrões de ponta de lança onde pilotam os caças de primeira linha.

Desde 2015 o A-29 Super Tucano também é usado no EDA, mais conhecido como Esquadrilha da Fumaça. Com a Esquadrilha o A-29 demonstra a capacidade da engenharia aeronáutica do Brasil mundo a fora.

Caças A-29 Super Tucano da Força Aérea Afegã.  Foto – USAF/Reprodução

O A-29 também é um sucesso fora do país, com muitas forças aéreas tendo-o como aeronaves de policiamento e ataque leve em países como a Nigéria, Afeganistão, Chile, Colômbia, Equador e outras 8 nações.

 

KC-390

O maior avião militar já produzido pela Embraer marca um dos momentos de maior relevância dentro da empresa brasileira, e o pico da tecnologia nestes 50 anos da empresa.

Por uma parceria entre a FAB e a Embraer, nasceu o KC-390, uma aeronave bi-reatora voltada para o transporte tático, capaz de decolar em pistas não preparadas, capacidade de voos desde os climas mais quentes aos mais frios. O KC-390 ainda pode fazer transporte de tropas, equipamentos militares que vão desde cargas até veículos militares, bem como missões aeromédicas e humanitárias.

Passagem do KC-390 com o EDA durante a cerimônia na ALA 1.

Ao todo a FAB terá 28 unidades deste avião, sendo que o primeiro deverá ser entregue ainda esse ano, em setembro. O local escolhido para ser o lar dos primeiros aviões KC-390, sob coordenação do 1º GTT, será a ALA 2, em Anápolis-GO.

HUD (Head-Up-Display), que é uma características das aeronaves da família dos 190 e 195 da Embraer, também está presente no KC-390.

O KC-390 foi destaque na época como o maior avião já produzido pela Embraer, e continua como o mais importante em capacidade de transportar carga a bordo.

Como destaque dessa aeronave está um sistema de controle Fly-By-Wire com uso de sidesticks, como na linha de jatos executivos Legacy 450/500 e Praetor 500/600, além da distribuição de visores similar à mesma linha Legacy 450/500, aumentando a consciência operacional dos pilotos e facilitando o trabalho.