LATAM GOL
Foto: Gabriel Melo

Nesta última quarta-feira (11/05) a GOL e a Avianca divulgaram que estavam unindo a sua administração entorno da ABRA, novo grupo de companhias aéreas da América Latina. A notícia deixou todos do setor de aviação surpresos, até então a companhia colombiana estava buscando uma consolidação em outros mercados, mas não visando aéreas do Brasil.

No dia 29 de abril a Avianca Colombia anunciou que estava se unindo com a Viva Air, uma aérea low cost, na mesma holding. Logo depois o comunicado conjunto anunciou a consolidação das suas companhias.

Faz alguns anos que a Avianca Colombia tentou unir forças com a Avianca Brasil, quando estas duas ainda estavam com os irmãos Efromovich no comando.

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Desta forma o objetivo é nítido, a Avianca trabalha há anos para tentar ser uma concorrente de grande porte na América Latina, assim como a LATAM. Contudo, a pandemia atrapalhou os planos da companhia, que saiu há pouco do regime de Chapter 11 (Recuperação Judicial).

Avianca Boeing 787
Foto – Boeing/Reprodução

Junto com suas subsidiárias, a Avianca conecta Bogotá sua principal base a mais de 30 destinos na América Central, Norte e Sul além da Europa. A atual frota da empresa apenas contabilizando a matriz colombiana, é de 100 aeronaves, com 88 delas ativas.

A Avianca tem sua frota composta em sua maioria por aeronaves Airbus sendo os modelos A319, A320ceo e NEO e o A330, este último na versão de passageiros será aposentado pela empresa em breve. A companhia conta ainda com o Boeing 787 para voos internacionais.

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A companhia aérea é a maior da Colômbia, conectando Bogotá a 24 destinos domésticos além de outros hubs como Cali e Medellín. 

 

Avianca iniciou consolidação, mas GOL praticamente lidera novo grupo

A GOL lidera o caminho, ao contrário da fusão entre TAM e LAN, em 2012. A companhia brasileira tem 30% das ações, e é majoritária no negócio. O CEO do Grupo Abra será Constantino de Oliveira Junior, que já conhecemos por liderar o Conselho de Administração  da GOL.

Roberto Kriete será Presidente do Conselho de Administração, ele trabalha atualmente na Avianca Holding, e deve moderar as decisões de Constantino. Adrian Neuhauser e Richard Lark completam o quadro como vice-presidentes do conselho de administração do Grupo Abra.

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GOL

Com 142 aviões na frota, desde a sua fundação a GOL aposta em aeronaves da linha Boeing 737, e mantém sua filosofia de frota única. Já a Avianca Colombia apostou no passado em uma frota variada de aviões, e atualmente se concentra nos Airbus A320neo (família) e Boeing 787, para simplificar as operações.

Em março de 2022 Paulo Kakinoff, CEO da GOL, alertou que consolidações poderiam ser realizadas após a pandemia. Meses antes a companhia laranja havia comprado a MAP, para obter a liderança isolada de slots no Aeroporto de Congonhas.

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E a movimentação surpreendente ocorreu nesta semana, com uma junção inesperada entre a Avianca e a GOL, empresas com filosofias diferentes de operação, mas que devem se unir para otimizar a concorrência com o Grupo LATAM, que está reforçando suas operações na América do Sul.

LATAM Boeing 787
Nova Holding é menor, mas ainda ameaça a LATAM no longo prazo.

A estratégia fica ainda mais interessante quando consideramos que a Avianca trabalha com um mercado acima da Viva Air, que será o braço totalmente Low Cost do grupo. A companhia colombiana já solicitou voos inéditos para o Brasil, como São Paulo – Cartagena.

A Avianca também se destaca por ter aproximadamente 16% das suas ações na mão da United Airlines. Do outro lado, recentemente a GOL concedeu uma participação de 5,2% para a American Airlines. As duas companhias norte-americanas serão acionistas indiretamente no negócio.

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Ter um braço low-cost é algo costumeiro na aviação, principalmente na Europa. Empresas como a Lufthansa que são empresas matriz e realizam uma ampla conexão, possuem empresas subsidiárias com serviços mais enxutos e eficazes.

Transavia é o braço de baixo preço (Low Fare) do Grupo Air France-KLM. Foto – Wikipédia

O Grupo Air France/KLM também é um bom exemplo a ser citado, a diferença é de que ambas as empresas são grandes matrizes e possuem ligações com empresas menores low-cost, para explorar de uma forma mais ampla e melhor destinos longes dos grandes centros europeus.

A LATAM não executa essa filosofia, e prefere um conceito de marca centralizada, como as aéreas norte-americanas.

A holding ainda será complementada pelas operações da Viva Air Colombia e da SKY Airline, na qual a Avianca detém participação.

 

Sede no Reino Unido, economia nos custos e mais de 300 rotas

O novo Grupo Abra é bastante promissor. Como citamos anteriormente, as duas companhias, sendo que a Avianca vem com mais duas agregadas. Juntas, as quatro companhias operam mais de 300 rotas diferentes na América Latina, nesses mercado há muita pouca sobreposição, e grande fluxo em voos domésticos e de curta distância, como na LATAM.

Mais de 29000 funcionários farão parte do Grupo Abra, sendo que a Avianca e a GOL podem fornecer serviços extras, como a Aerotech, divisão de manutenção da aérea brasileira. Somente em aeronaves estamos falando em 310, no total.

A Abra espera ter 21% do mercado na América Latina após a junção, enquanto a LATAM tem cerca de 24% atualmente.

O Grupo Abra, com sede no Reino Unido, será responsável pelo pagamento do leasing de todos os aviões das companhias do grupo, além de obter financiamentos e emitir títulos de dívida. Em troca, as aéreas ganham em confiança no mercado, devido ao maior porte da holding e a possibilidade de alta receita.

A receita combinada entre as empresas é de US$ 5 bilhões, aproximadamente, mas considerando dados anteriores ao período da pandemia, a receita com tráfego a 100% da sua capacidade pode ser de US$ 8 bilhões.

GOL

“Este acordo coloca as companhias aéreas do Grupo Abra em posição de liderança em viagens aéreas na América Latina, atendendo a uma população de mais de um bilhão de pessoas e um PIB de quase US$ 3 trilhões, e oferecendo oportunidades significativas de capacidade e crescimento de receita. A estrutura corporativa única permitirá que cada companhia aérea gere resultados mantendo independentes suas marcas, equipes e cultura, e proporcione aos colaboradores mais oportunidades de crescimento pessoal e profissional em todas as fases de suas carreiras”, disse Constantino Jr.

“A Abra fornecerá uma plataforma para que as companhias aéreas em operação reduzam ainda mais os custos, obtenham maiores economias de escala, continuem a operar uma frota de aeronaves de última geração e expandam suas rotas, serviços, ofertas de produtos e programas de fidelidade”, disse a Avianca em comunicado.

Espera-se que o fechamento da transação seja concluído no segundo semestre de 2022, neste momento alguns investidores vão injetar US$ 350 milhões no Grupo Abra, reforçando o caixa das companhias aéreas.