Boeing 787 Dreamliner com o qual a companhia aérea Qantas fará o voo entre Nova York e Sydney.

A Qantas já definiu uma data para lançar seus voos comerciais diretos de Sidney para Nova York e Londres, algo que atualmente a companhia só realiza com a ajuda de escalas.

A companhia está trabalhando para possibilitar esses voos a partir de 2023, já com a ajuda de novas aeronaves adequadas a esse tipo de operação.

“O plano em que estamos trabalhando é tomar uma decisão sobre o caso de negócios até o final deste ano”, disse Alan Joyce, CEO da Qantas. “E provavelmente será [lançado] a partir de 2023 quando as aeronaves estiverem disponíveis”.

“Sabemos que a demanda existe, sabemos que as pessoas estão interessadas nela, sabemos que as pessoas querem voar e economizar tempo”, disse Alan Joyce. “Então, queremos tornar isso realidade em 2023 a partir de Nova York e Londres – e talvez de muitos outros destinos na Europa e América do Norte que hoje não podemos alcançar sem uma parada [para reabastecimento]”.

Enquanto um 787-9 foi usado para o voo de pesquisa, a Qantas pretende usar o Airbus A350 ou o Boeing 777X para essas operações a partir de 2023.

Ele também descreveu os problemas que a companhia precisa enfrentar para colocar um voo desse tipo como regular.

“No momento, temos limites [de tripulação] de cerca de 20h – queremos chegar às 22h, depois às 24h, o que nos permitirá fazer esses voos”, diz ele. “Então, precisamos mostrar que isso pode ser feito com segurança”.


“É realmente crítico, caso contrário, não podemos fazer isso. Ficamos sem horas com vôos a partir de Londres. Portanto, sabemos que isso é fundamental”.

A Qantas também precisa garantir que seu produto de bordo seja adequado, disse Alan Joyce, que ressaltou um espaço para passageiros da Classe Econômica circularem e se esticarem no interior da aeronave. A companhia planeja adequar até mesmo a alimentação.

 

Escolha das aeronaves

A Qantas iniciou o Project Sunrise confiante no uso do 777-8X para realizar esses voos sem escalas. O projeto da aeronave entrega a autonomia pretendida pela companhia, mas os prazos de certificação e entrega da Boeing não agradaram a empresa, nesses últimos meses.

Desde então a Qantas estreitou contatos com a Airbus, que disponibilizou o seu A350-1000 como plataforma para o novo projeto, que deve criar uma aeronave com maior peso de decolagem, e talvez até mesmo um maior tanque de combustível.

A Airbus disse à FlightGlobal que está liderando sua oferta com o A350-1000, que, segundo ele, teria um alcance de 16110 km com uma carga típica de transporte de 375 passageiros.

Atualmente, nove variantes de peso do A350-1000 estão disponíveis, incluindo duas com o maior peso máximo de decolagem de 316t, o que confere à aeronave um alcance de cerca de 15550 km com 366 passageiros.

O estudo dessa versão com MTOW ampliado está sendo conduzido juntamente à Qantas, que tem interesse em ter essa versão disponível já em 2020.

A faixa de 8700nm citada pela Airbus é aproximadamente a grande distância entre Nova York e Sydney, mas menor que os 9200nm do voo Londres-Sydney.

A Airbus não indicou a extensão de quaisquer restrições ou modificações que seriam necessárias para o A350-1000 atender aos critérios do Project Sunrise, e ainda não confirmou o MTOW da variante candidata, mas estima-se que é uma nova versão com 319 toneladas de Peso Máximo de Decolagem.