A Qantas Airways vai operar amanhã (14/11) um voo direto e sem escalas entre Londres e Sidney, com um Boeing 787-9 recém-entregue para a companhia australiana.

A aeronave voou nesta quarta-feira (13/11) direto de Everett, nas unidades da Boeing, para Londres, onde vai partir para um voo sem escalas que deve superar as 21 horas e os 16000 km.

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Esse voo será operado com 40 convidados da Qantas Airways, que também servem como “cobaias” para experimentos científicos de como o corpo humano reage ao voo de várias horas em espaço reduzido de deslocamento. Cientistas analisam durante o voo a atividade cerebral dos pilotos e sua capacidade de manter a atenção, além dos efeitos de Jet Lag nos viajantes.

Os cientistas também monitoram a comida, o sono e a atividade de várias dezenas de viajantes, a fim de ver como os humanos reagem à 20 horas seguidas de voo.

Pilotos usam “touca” especial que mede as atividades cerebrais, gravando em um dispositivo externo para análise de médicos após o voo.

No cockpit, os pilotos utilizam um dispositivo especial que avalia a atividade cerebral dos tripulantes, incluindo o nível de atenção e melatonina.

A companhia está trabalhando para possibilitar esses voos a partir de 2023, já com a ajuda de novas aeronaves adequadas a esse tipo de operação. 


A Qantas já realizou um voo no Project Sunrise, sem escalas entre Nova York e Sidney, com a mesma proposta, estudar a reação de 40 pseudos-passageiros. A companhia deve realizar mais um voo de Nova York para Sidney, em dezembro, após esse voo de Londres.

Em um voo de 20 horas um Boeing 787-9 pode decolar com 126 mil litros de querosene, ou 101 mil quilos se você preferir.

 

Escolha das aeronaves

A Qantas iniciou o Project Sunrise confiante no uso do 777-8X para realizar esses voos sem escalas. O projeto da aeronave entrega a autonomia pretendida pela companhia, mas os prazos de certificação e entrega da Boeing não agradaram a empresa, nesses últimos meses.

Desde então a Qantas estreitou contatos com a Airbus, que disponibilizou o seu A350-1000 como plataforma para o novo projeto, que deve criar uma aeronave com maior peso de decolagem, e talvez até mesmo um maior tanque de combustível.

A Airbus disse à FlightGlobal que está liderando sua oferta com o A350-1000, que, segundo ele, teria um alcance de 16110 km com uma carga típica de transporte de 375 passageiros.

Atualmente, nove variantes de peso do A350-1000 estão disponíveis, incluindo duas com o maior peso máximo de decolagem de 316t, o que confere à aeronave um alcance de cerca de 15550 km com 366 passageiros.

O estudo dessa versão com MTOW ampliado está sendo conduzido juntamente à Qantas, que tem interesse em ter essa versão disponível já em 2020.

A faixa de 8700nm citada pela Airbus é aproximadamente a grande distância entre Nova York e Sydney, mas menor que os 9200nm do voo Londres-Sydney.

A Airbus não indicou a extensão de quaisquer restrições ou modificações que seriam necessárias para o A350-1000 atender aos critérios do Project Sunrise, e ainda não confirmou o MTOW da variante candidata, mas estima-se que é uma nova versão com 319 toneladas de Peso Máximo de Decolagem.