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O Boeing 777X impressionou a todos no Dubai Airshow deste ano. Em sua primeira visita a um evento público, o novo avião da Boeing realizou uma demonstração extraordinária.

A aeronave é a maior de andar único produzida pela Boeing, e tem previsão para ter sua primeira unidade entregue em 2023. Apesar de toda a tecnologia envolvida, o 777X ainda engatinha nas encomendas, e tem seu “público alvo” nas aéreas árabes.

E para impressionar geralmente as fabricantes realizam grandes demonstrações públicas das suas aeronaves, principalmente quando há possível clientes por perto.

E no caso do Boeing 777X a sua primeira apresentação pública não foi diferente. Você pode conferir nos vídeos abaixo.

E mesmo ainda sendo um avião de teste, a aeronave foi aberta para a visitação dos presentes no Dubai Airshow, onde podemos ver o interior com alguns assentos, computadores os uso dos engenheiros de voo e tanques de água, simplesmente para testar o balanceamento do avião.

 

Voltando quase 70 anos

O início da história do motor a jato nas aeronaves é longo e recheados de problemas ou contratempos. Várias empresas tentaram entrar no mercado de aeronaves a jato na época, contudo, nem todas tiveram sucesso.

A Boeing era uma dessas empresas na década de 50. Tímida em participação no mercado de aviação comercial com suas aeronaves, se posicionando atrás da Douglas e da Lockheed, a empresa tinha como principal aposta o 367-80, chamado também de Dash 80.

Além de uma aeronave militar, a Boeing queria utilizar a base do Dash 80 para criar uma aeronave de passageiros. Por este motivo várias alterações foram realizadas logo depois.

E então no dia 07 de agosto de 1955 o lendário piloto Alvin “Tex” Johnston decidiu impressionar uma multidão. Ao todo 250 mil pessoas acompanharam um avião gigante fazendo manobras perto do Lago Washington.

Alvin “Tex” Johnston no Boeing 707.

Era para ser um sobrevoo somente, como forma de apresentar sua nova aeronave, um avião a jato muito barulhento mas que podia atingir 900 km/h, contra 500 km/h dos aviões a pistão que estavam no mercado até então.

Johnston era o chefe de testes de voo da Boeing, e utilizou um protótipo do Boeing 707 para executar a manobra barrel roll, basicamente um giro no eixo horizontal da aeronave, com pouca variação vertical da altitude.

Apesar das imagens de baixa qualidade da época, provavelmente registradas em filme 8mm, um pouco da demonstração pode ser assistida no vídeo abaixo:

Na manhã seguinte Bill Allen convidou o piloto “Tex” Johnston para uma reunião no seu escritório, junto com outros diretores. O diálogo foi basicamente o seguinte:

  • Allen: O que você achou que estava fazendo ontem?
  • Johnston: Vendendo o avião.
  • Allen terminou: Você sabe disso. Agora sabemos disso. Mas simplesmente não faça mais isso.
Boeing 707 com a pintura de protótipo da Boeing, em uma foto tirada pelo copiloto James R. Gannett.

Apesar de receber uma clássica bronca do CEO da Boeing na época, Bill Allen, por executar duas manobras iguais, a atitude de Johnston causou uma mudança completa no setor de aviação, forçando outras fabricantes a seguirem o conceito de sucesso da Boeing.

O desempenho do Boeing 707, bem como a percepção do público e imprensa sobre a resistência da aeronave, após acidentes com o de Havilland DH-106 Comet, foi algo extremamente positivo para a Boeing, e o principal medo de Allen na época.

Com dificuldades para conseguir encomendas, a propaganda sobre a manobra do Boeing 707 ganhou tamanho rapidamente.

 

Um mês após a manobra ser realizada por Tex Johnston, a Boeing recebeu sua primeira encomenda para a aeronave, que partiu da Pan Am com 20 unidades para o 707.

A companhia também foi a estreante do avião que vendeu 1010 unidades até 1994, fora as versões militares, como o KC-135 e o primeiro jato de transporte presidencial do EUA (Air Force One).

Nessa história toda vale ressaltar que na época as empresas tinham dificuldades para vender aviões a jato. Primeiramente pela confiabilidade dos projetos, depois pelo altíssimo consumo de um combustível novo (querosene), e por muitas aéreas ainda estarem pagando por aviões a pistão novos, que adquiriram na década de 50 e estariam imediatamente obsoletos com a entrada dos jatos.

Tex Johnston ficou na posição de divulgar o 707 em todas as demonstrações aéreas, e a sua manobra resultou em um investimento de US$ 144 milhões da Boeing para criar uma aeronave de passageiros a jato, algo que a fabricante não queria apostar na época.

Em seu livro Tex Johnston explicou que realizou toda a manobra mantendo a aeronave dentro da força de 1G positivo. Desta forma, o avião “não reconhece se está voando invertido”, de acordo com o histórico piloto.

 

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