Depois de ser informado sobre a nova intenção de “compra” da Boeing, o presidente Michel Temer disse que aprova todo tipo de negociação, menos que o controle acionário da Embraer seja repassado para a Boeing.

“No meu governo a Embraer jamais será vendida”, disse em reunião com o ministro Raul Jungmann (Defesa) e o comandante da Força Aérea, brigadeiro Nivaldo Rossato, além de outros auxiliares, de acordo com uma informação apurada pela Folha de São Paulo.

A Embraer enviou uma nota para a imprensa no final da tarde de hoje (21/12) confirmando potenciais negociações entre a empresa brasileira e a Boeing, que poderia resultar em uma potencial combinação, cujas bases ainda estão em discussão, sem citar uma possível negociação de ações entre as empresas.

O governo não sabia sobre as negociações entre as empresas, e foi uma surpresa para o presidente essa informação, visto que a Embraer serve de apoio militar para o Governo Brasileiro, e executa projetos sigilosos, como o KC-390.

A Boeing já trabalhou em conjunto com a Embraer anteriormente, como no projeto ecoDemonstrator, que usou um E170 como plataforma de testes, e também na consultoria de venda do KC-390, o novo avião militar da Embraer.

Qualquer transação estaria sujeita à aprovação do governo brasileiro e agências reguladoras do Brasil, bem como dos respectivos conselhos e dos acionistas da Embraer.

Por conta desses rumores as ações da Embraer abriram em forte alta na Bolsa norte-americana nesta quinta-feira, com alta que chegou à 26%, antes de ser congelada, tudo indica que as ações podem voltar a serem negociadas com alta de 22%.

Já a Boeing registrou leve queda nas suas ações, de 0,33%. Cada ação da Embraer estava sendo negociada à US$ 24,44 antes do congelamento, a as ações da Boeing US$ 296,92 na manhã desta quinta-feira.

Recentemente a Airbus comprou uma participação majoritária no projeto CSeries da Bombardier, que engloba o range entre 110 a 150 assentos, mercado que a Airbus ainda não tinha participação. A fabricante europeia ficará responsável pelas vendas e administração do projeto, enquanto a Bombardier ficará encarregada da engenharia e produção.

Para evitar o imposto de 300% aplicado pelo Departamento de Comércio dos EUA aos aviões da família CSeries, a Airbus também cedeu um espaço na sua linha de montagem em Mobila, Alabama (EUA).