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Turquia diz que Grécia travou mísseis S-300 em seus caças F-16

F-16 Turquia EUA caça
F-16C da Turquia com mísseis AGM-88 HARM, AIM-9 Sidewinder e AIM-120 AMRAAM. Foto: Robert Sullivan via Wikimedia.

Turquia e Grécia estão em mais um capítulo de sua rusga secular. Ancara agora acusa o lado grego de ter travado mísseis antiaéreos S-300 em seus caças F-16. Atenas nega as acusações. 

De acordo com a mídia internacional, que cita fontes turcas, o incidente teria ocorrido no dia 23/08. Um par de caças F-16 da Força Aérea Turca estavam em missão de reconhecimento pela OTAN na região do Mar Egeu e do Mar Mediterrâneo oriental.

Em certo momento, os jatos turcos foram travados pelo radar do sistema antiaéreo S-300 grego, implantado na ilha de Creta. Em termos militares, travar significa que o radar está “engajando” um determinado alvo, o que pode significar um ataque iminente.

S-300 Grécia mísseis

Lançador de mísseis do sistema S-300 PMU-1 da Grécia. Ao fundo, um radar 76N6 Clam Shell. Foto via Army Recognition.

Fontes do Ministério da Defesa turco criticaram as ações dos militares gregos, dizendo que são “incompatíveis com o espírito da aliança da OTAN” e “hostis” sob as regras de engajamento da OTAN. “Apesar dessa ação hostil, os jatos turcos completaram suas missões planejadas e retornaram à base com segurança”, disseram fontes.

A Grécia, em contrapartida, nega que tenha feito qualquer movimento do tipo. De acordo com a emissora estatal ERT, fontes militares disseram que o S-300 grego nunca travou [seu radar] em caças F-16 da Turquia. “As interceptações são realizadas por nossas aeronaves militares de acordo com as regras internacionais de engajamento”, acrescentaram as mesmas fontes.

O S-300 é um sistema de mísseis antiaéreos de longo alcance. Chamado de SA-10 Grumble pela OTAN, o S-300 foi desenvolvido na década de 1970 na antiga União Soviética, permanecendo uma séria ameaça até hoje graças à diversas atualizações. Dependendo da variante, uma bateria de S-300 pode ser composta por um veículo de comando e controle, outros dois radares de busca e acompanhamento do alvo aéreo e múltiplos lançadores.

Caças F-16C/D Fighting Falcon da Força Aérea Turca na Base Aérea de Knya durante um Exercício Anatolian Eagle. Foto: TuAF.

Mas como mísseis russos foram adquiridos pela Grécia, um país da OTAN? 
 
A República de Chipre originalmente encomendou duas baterias de S-300 PMU-1, instalando-os em Creta no final da década de 1990. O movimento gerou uma crise entre Grécia, Turquia e Chipre, com Ancara ameaçando destruir os mísseis. A crise se resolveu em 1998, quando a Grécia comprou os mísseis e transferiu armas para o Chipre. 
 
Os S-300 ainda foram instalados em Creta, mas sob controle de militares gregos. As baterias de origem russa ainda foram integradas ao sistema de identificação e enlace de dados da OTAN. 
 
Apesar de serem dois aliados pela OTAN, Grécia e Turquia tem uma longa e duradoura rixa. Hoje é comum que caças dos dois países se “enfrentem” em combates simulados em eventuais encontros na região, mas no passando foram registrados até mesmo abates.
 
O vídeo abaixo explica como é a relação entre os dois países, que por ser difícil, também traz incômodos dentro da OTAN.
 

Em paralelo, um portal turco diz que o uso do S-300 pela Grécia mostra uma espécie de padrão duplo de julgamento por parte da própria OTAN, especialmente dos EUA. Ao mesmo tempo em que não fala sobre os mísseis russos nas mãos gregas, Washington protestou fortemente contra a aquisição de mísseis S-400 pela Turquia, o que levou à expulsão de Ancara do projeto do F-35 e atual crise entre os dois países. 

Com informações de Greek Reporter e Hurriyet

 

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Estudante de Jornalismo na UFRGS, spotter e entusiasta de aviação militar.