Caças F-15 e F-16 no 309th AMARG, o famoso cemitério de aviões da USAF. Foto: Roel van Gestel/Blogfighter via Poder Aéreo.

Para o Ano Fiscal americano de 2022 (FY2022), que começa no mês de outubro, a Força Aérea dos EUA solicitou a aposentadoria de 201 aeronaves diferentes e orçamento para aquisição de novos aviões e desenvolvimento de armamentos e projetos como o NGAD (Next Generation Air Dominance), novo caça que deverá substituir o F-22 Raptor. 

No total, o Pentágono (DoD) solicitou um orçamento de US$ 752.9 bilhões ao Congresso Americano, sendo que US$ 112 bi. são só para pesquisa, desenvolvimento, testes e avaliações, representando a maior solicitação de investimento para esse aspecto de todos os tempos, um aumento de 5.1% em relação ao FY2021. 

De acordo com Flightglobal, a USAF afirmou que suas prioridades orçamentárias incluem o desenvolvimento e aquisição do B-21 Raider, novo bombardeiro stealth; upgrades no B-52 Stratofortress, continuar as aquisições do F-35A Lightning II; o Ground Based Strategic Deterrent, novo míssil balístico nuclear que irá substituir o LGM-30G Minuteman III; o NGAD, citado anteriormente; o sistema de satélite de alerta de mísseis infravermelho persistente de próxima geração; e o Advanced Battle Management System, uma rede de comunicações em desenvolvimento no campo de batalha. 

Afim de reduzir custos, a USAF vai aposentar uma série de aeronaves mais antigas, incluindo jatos de combate, aeronaves de comunicação, drones e reabastecedores. 

  • F-15C/D Eagle – A Força Aérea quer aposentar 48 caças F-15 Eagle, os mais antigos da frota. O site The War Zone explica que a USAF planeja aposentar toda sua frota de F-15 legacy até 2026. Falando na apresentação do F-15EX Eagle II, o Tenente-General Duke Richardson, do Escritório do Secretário Adjunto da Força Aérea para Aquisição, Tecnologia e Logística, disse que pelo menos 75% da frota de F-15C/D está voando além da sua vida operacional planejada, com 10% dos caças groundeados por problemas de integridade estrutural. 
  • A-10 Thunderbolt II – A USAF pretende aposentar 42 dos jatos de ataque e suporte aéreo aproximado. Segundo o War Zone, isso irá reduzir a frota total de 281 para 239 aeronaves. 
    Aeronave A-10 Thunderbolt II faz pouso em pista de terra, durante treinamento- Foto: USAF.
  • F-16C/D Fighting Falcon – A USAF quer retirar 47 dos caças F-16 mais antigos da frota. De acordo com o War Zone, essa retirada inicial faz parte de um plano maior de aposentar 126 Vipers de blocos de produção mais antigos.
  • C-130H Hercules – A Força Aérea quer aposentar oito aeronaves do modelo. A USAF já opera os C-130J Super Hércules, mais novos e capazes que a versão antiga. 
  • KC-10 Extender e KC-135 Stratotanker – A USAF vai solicitar a retirada de 14 KC-10 e 18 KC-135. Recentemente, o General do Exército dos EUA Stephen R. Lyons, comandante do Comando de Transporte dos EUA (Transcom), afirmou que a Força Aérea Americana (USAF) já pode iniciar a aposentadoria dos KC-135, modelo que começou a ser introduzido em serviço no final da década de 50. O substituto é o KC-46A Pegasus, uma aeronave que, apesar de moderna, vem sofrendo atrasos e problemas e causando prejuízos à Boeing
  • E-8 JSTARS – Aeronave empregada como centro de comando de batalha aerotransportado. A USAF quer aposentar quatro aeronaves do modelo. Em janeiro, a Northrop Grumman foi contratada para prestar apoio à frota de E-8
    Foto: USAF.
  • RQ-4 Global Hawk Block 30 – Drone de grande porte empregado em missões de vigilância e reconhecimento. A USAF quer aposentar 20 desses jatos não-tripulados, o maior número fora da aviação de caça. 
Caças F-35 Lightning II e F-22A Raptor. Foto: USAF.

O levantamento da Flightglobal aponta que a retirada de todas essas aeronaves traria uma economia de US$ 1,373 bilhão no FY2022. 

“No período de 2035-2040, a Força Aérea deve ter uma frota de caças que forneça capacidade, capacidade e acessibilidade para atender às necessidades de superioridade aérea e ataque global para a defesa de nossa nação, tanto em competição quanto em conflito”, diz a Força. “Para atingir a frota de caças desejada, a Força Aérea deve dimensionar os estoques atuais de aeronaves para acelerar a transição de aeronaves menos capazes e envelhecidas e enfatizar o investimento em capacidades futuras, como a modernização do NGAD e F-35.”

Apesar da redução de gastos, o Congresso ainda deve aprovar a aposentadoria das aeronaves, o que será avaliado logo. Para as aquisições de aeronaves, a USAF solicitou para o FY2022: 

  • Aquisição de 48 caças de quinta geração F-35A Lightning II. A Marinha dos EUA também solicitou verbas para a compra de 15 F-35C, variante de operações em porta-aviões, e 17 F-35B de pouso e decolagem vertical para o Corpo de Fuzileiros Navais. 
  • A USAF quer adquirir 14 unidades do HH-60W Jolly Green II, novo helicóptero de busca e resgate que irá substituir o HH-60G Pave Hawk. A organização já concedeu um contrato de US$ 980 milhões à Sikorsky para a atualização dos helicópteros
  • Aquisição de 14 aviões-tanque Boeing KC-46 Pegasus, substituto do KC-135 e KC-10. 
  • Aquisição de 12 F-15EX Eagle II. A mais nova e avançada variante do caça dos anos 70 vai substituir os F-15C/D. A USAF já garantiu a compra de oito unidades do jato, e quer obter um total de 144 nos próximos anos. 
    F-15EX Eagle II. Foto: Ethan Wagner/USAF.
  • Quatro MC-130J Commando II, versão de operações especiais do C-130, empregada na inserção de tropas e reabastecimento de helicópteros em voo. 

Para armamentos, a USAF quer bombas JDAM (1919 unidades), bombas GBU-39 SDB I (998) e GBU-53 SBD II (995), mísseis ar de curto-alcance AIM-9X Sidewinder (243) e médio/longo-alcance AIM-120D AMRAAM (168), mísseis de cruzeiro de baixa observabilidade AGM-158 JASSM-ER (525) e mísseis ar-solo AGM-114 Hellfire (1176). Além disso, a USAF quer verbas para 12 mísseis hipersônicos AGM-183 ARRW (Air-Launched Rapid Response Weapon), ainda em desenvolvimento. 

HH-60W Jolly Green II. Foto da Força Aérea dos EUA

O Pentágono diz que o orçamento total também prevê um aumento salarial de 2,7% para militares e funcionários civis, ao mesmo tempo que investe cerca de US$ 9 bilhões em programas de apoio à família.

O Secretário de Defesa Lloyd J. Austin III disse que o orçamento investe nas pessoas, apoia a prontidão e a modernização, combate as ameaças representadas pelas mudanças climáticas e fornece os recursos necessários para enfrentar a ameaça chinesa.