Su-30 mísseis
Quatro caças Su-30 disparando oito mísseis R-73

Ver uma aeronave de caça disparando um míssil é sempre muito legal. Agora imagine ver quatro caças Sukhoi Su-30 disparando oito mísseis, quase simultaneamente? É exatamente isso que acontece no vídeo abaixo. 

Segundo o The War Zone, o vídeo acima foi publicado no Telegram por um usuário chamado Fighterbomber. O mesmo usuário parecido pode ser encontrado no Instagram, onde o perfil contém uma grande quantidade de imagens de aeronaves militares russas. 

 
 
 
 
 
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Uma publicação compartilhada por Ivan Ivanov (@fighter_bomber_)

Mas voltando ao vídeo: as imagens mostram quatro caças que aparentam ser Su-30SM Flanker-C, uma aeronave de combate multimissão. Em formação, cada aeronave dispara dois mísseis R-73/R-74 guiados por calor, praticamente ao mesmo tempo. É impressionante ver os oito mísseis partindo contra o alvo em alta velocidade.

Su-30 canhao
O Su-30 aparenta disparar seu canhão GSh-30-1. Note o freio aerodinâmico aberto. 

Também vale pontuar que é possível ver uma espécie de “fogo” na lateral do Su-30 mais próximo da aeronave que filmava a operação. A chama é vista exatamente no local onde fica o bocal do canhão GSh-30-1, de 30mm, indicando que o jato pode ter disparado o armamento em questão.

 

O portal afirma que os mísseis provavelmente foram disparados contra um alvo aéreo M6, lançado a partir de outra aeronave para fins de treinamento. Com tamanho similar à uma bomba da série SAP de 220 libras, o M6 pode gerar sinais de infravermelho – servindo de alvo para mísseis como o R-73 do vídeo – ou de radiofrequência. 

O lançamento de oito mísseis em rápida sucessão é certamente impressionante, mas a proximidade dos jatos tem pouco em comum com um cenário tático genuíno, afirma o portal. Embora colocar uma formação de ‘parede’ para fechar uma grande área do espaço aéreo seja uma tática viável, usada com grande efeito na Operação Tempestade no Deserto pelos F-15 da USAF, a separação entre as aeronaves seria muito maior, tanto para sua eficácia quanto para melhorar a sua própria chance de sobrevivência. 

O disparo dos mísseis russos, portanto, pode muito bem ser adaptado em um grau significativo para consumo público. Oportunidades de fotos como essa não são desconhecidas, com vários exemplos de quatro F-15 Eagle da Força Aérea dos EUA, cada um disparando um míssil. De qualquer forma, esses tipos de eventos ainda fornecem algumas oportunidades valiosas de treinamento.

A chance de disparar um míssil real é relativamente incomum, muito por conta dos custos envolvidos, mas fornece um treinamento útil, dando ao piloto a sensação de um lançamento no mundo real, muito melhor que a experiência em qualquer simulador. A presença de mais caças e mísseis aumenta a complexidade do exercício e requer cooperação habilidosa.

No entanto, apesar do grande valor, também há seus riscos. No ano passado, um piloto de Su-35 da Rússia acabou derrubando um Su-30 sem querer durante um treinamento de dogfight (combate aéreo aproximado) com seu canhão de 30mm. O militar está sendo julgado.

Nos Estados Unidos, pelo menos, exercícios de disparo real costumam ocorrer antes de um esquadrão de caça ser enviado para um teatro operacional. Este pode ser o caso de os pilotos envolvidos irem para a Síria, onde as Forças Aeroespaciais Russas mantêm uma presença significativa, acumulando uma considerável experiência em combate

Su-35 Síria
Su-35S decolando de uma base na Síria com mísseis R-73 de curto-alcance, R-77 de médio-alcance e pods L005. Foto: MD Russo.

Enquanto isso, dentre os exercícios regulares de combate aéreo na Rússia com elementos significativos de emprego real envolvendo mísseis ar-ar, o mais proeminente é provavelmente a série Ladoga, em homenagem ao lago e região na República da Carélia e Oblast de Leningrado, no noroeste da Rússia .

Exercícios de fogo real como este também servem para verificar a confiabilidade e eficácia do míssil e sua interface com a aeronave.

Isso pode ser particularmente relevante dependendo do tipo de míssil usado. Além do comprovado R-73, que está em uso desde o início dos anos 1980, há também o mais moderno R-74M, que entrou oficialmente em serviço em 2012. Este míssil parece quase idêntico ao R-73, mas tem um novo buscador infravermelho de duas bandas. Isso fornece maior alcance do seeker e uma capacidade off boresight maior, reduzindo a possibilidade da aeronave inimiga escapar em um dogfight de curvas fechadas. 

Míssil ar-ar R-73 na asa de um MiG-29 húngaro. Foto: KGyST via Wikimedia (CC BY 3.0)

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