F-35A disparando um míssil Ar-Ar AIM-120 AMRAAM. Foto: Chad Bellay/Lockheed Martin

A Administração Biden vai seguir com a venda bilionária de caças F-35 e drones de combate para os Emirados Árabes Unidos (EAU), disseram assessores do Congresso na terça-feira (13). A venda havia sido suspensa pouco tempo depois da posse do Presidente, em janeiro. 

Os EAU haviam fechado um acordo nas últimas horas do governo de Donald Trump. O pacote prevê o fornecimento de 50 caças stealth F-35 Lightning II, 18 drones de combate MQ-9B Reaper e mísseis ar-ar e ar-solo, tudo isso por US$ 23,7 bilhões. 

Logo no final de janeiro, oito dias após a posse do novo presidente, a compra foi suspensa. Na época, o Departamento de Estado dos EUA, explicou que as suspensões são normais e ocorrem para que novas administrações possam revisar acordos de aquisição de artigos bélicos através do programa de Foreign Military Sales (FMS).

De acordo com a Agência Reuters, um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA disse que o governo seguiria em frente com as vendas propostas aos Emirados Árabes Unidos, “mesmo enquanto continuamos revisando detalhes e consultando as autoridades dos Emirados” relacionados ao uso das armas.

O governo Trump disse ao Congresso em novembro que aprovou a venda dos EUA aos Emirados Árabes Unidos como um acordo paralelo aos Acordos de Abraham, um acordo mediado pelos EUA em setembro no qual os Emirados Árabes concordaram em normalizar as relações com Israel.

Nos últimos meses do governo Trump, Israel fechou acordos com os Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Sudão e Marrocos como parte dos acordos.

MQ-9B Reaper. Foto: General Atomics.

Alguns legisladores dos EUA criticaram os Emirados Árabes Unidos por seu envolvimento na guerra no Iêmen, um conflito considerado um dos piores desastres humanitários do mundo, e temem que as transferências de armas possam violar as garantias dos EUA de que Israel manterá uma vantagem militar na região.

Um esforço legislativo para impedir as vendas fracassou em dezembro, quando os colegas republicanos de Trump no Congresso apoiaram seus planos. O governo Trump finalizou a venda massiva para os Emirados Árabes Unidos em 20 de janeiro, cerca de uma hora antes de Biden tomar posse como presidente.

O governo Biden também está revisando sua política de vendas militares para a Arábia Saudita, incluindo alguns negócios de armas da era Trump, à luz do envolvimento saudita no Iêmen e outras questões de direitos humanos.

“Também continuaremos a reforçar com os Emirados Árabes Unidos e todos os destinatários de artigos e serviços de defesa dos EUA que o equipamento de defesa de origem norte-americana deve ser adequadamente protegido e usado de uma maneira que respeite os direitos humanos e cumpra integralmente as leis de conflito armado,” disse o porta-voz.

F-16E Desert Falcon – Block 60 da Força Aérea dos . Foto: USAF.

A Força Aérea dos Emirados Árabes já conta com 59 caças Dassault Mirage 2000-9 e 78 F-16E/F Desert Falcon/Block 60.