No dia 1º de junho a Azul estreou oficialmente seu A330neo nos voos domésticos, realizando um voo de Viracopos para Recife com sua nova aeronave.

Convidados e jornalistas foram acomodados na Classe Executiva da aeronave neste primeiro voo, o embarque destes foi realizado por último, até mesmo devido a uma entrevista com o Diretor de Alianças da Azul.

O primeiro A330-900neo da Azul chegou ao Brasil no dia 11 de maio, a companhia foi a primeira das Américas a operar o modelo, antes mesmo da Delta Airlines, que recebeu a sua aeronave alguns dias depois.

Quando anunciou a encomenda, a Azul afirmou que o A330-900neo seria importante para fortalecer a malha internacional da companhia para os Estados Unidos e Europa, além de economizar combustível nessas viagens pela nova tecnologia.

“Estamos muito orgulhosos em ser o primeiro operador do A330neo nas Américas. Essa nova aeronave terá um papel fundamental na expansão de nossos mercados internacionais, apoiando nossa estratégia de ter uma frota moderna e eficiente em termos de combustível”, comemorou John Rodgerson, CEO da Azul.

A Airbus já registrou 235 pedidos firmes para o A330neo. No Brasil a Azul encomendou 5 unidades do A330-900neo.

Vamos conferir um pouco dessa nova aeronave da Azul?

 

Conforto e estabilidade

Desde os primeiros minutos, ainda taxiando em solo, é possível perceber o silêncio e a estabilidade de rodagem da aeronave, estávamos na Classe Executiva, mas tudo era bastante confortável no A330neo.

O avião é equipado com uma cabine com três classes diferentes que acomodam 34 passageiros na Business, 96 na Econômica Xtra e 168 na classe econômica.

O assento da Classe Executiva foi renovado, enquanto a companhia manteve o padrão do A330ceo para a Classe Econômica, incluindo o bom espaço entre os assentos.

Na Executiva há muitas opções para os passageiros, a primeira que eu destaco é a possibilidade do assento reclinar 180º, em um voo curto, como de Viracopos (SP) para Recife (PE) foi suficiente para um pequeno cochilo no voo de retorno, em voos internacionais para a Europa creio que será algo bastante útil.

O assento oferece três posições por padrão (sem reclinação, com ângulo de 45º e com 180º), mas no início confesso que queria ajustar o assento ao meu gosto, e foi meio confuso realizar isso com três botões que precisam de outros botões para fazer o ajuste fino, confesso, a facilidade de uso do sistema poderia ser melhor, mas o fato do ajuste ser totalmente elétrico anulou boa parte da percepção de problemas.

Acomodado no meu assento 7K, percebi que o voo de Viracopos para Recife foi 99% sem turbulência, a aeronave é bastante estável e parece corrigir de imediato as variações de altitude e direção, quando está no piloto automático.

No retorno para Campinas a impressão foi mantida, sempre muito estável, gravamos muitas matérias nesse período e em nenhum momento sofremos solavancos do avião que afetaram as filmagens.

Vale ressaltar a pressurização dessa aeronave, parece que melhoraram em comparação com a geração anterior, mas ela não é 100% perfeita como nos E-Jets, apesar da altitude de cabine ser menor durante o voo.

O interior Airspace é diferente, a começar pelos compartimentos superiores de bagagem, conhecido como “bin”. Mas a confortável iluminação de led, com possibilidade de mudança das cores, é semelhante aos A330-200ceo da Azul, que sofreram um retrofit recentemente.

 

Serviço de Bordo

O serviço de bordo creio que foi especial para a Classe Executiva desse voo, nós recebemos os tradicionais snacks da Azul, e um excelente sanduíche de frango, com duas opções de sabores, foi distribuído para cada passageiro.

Além disso, os comissários serviram sucos, água, refrigerantes e café após a refeição.

Para um voo nacional, foi um serviço de bordo muito bom, acima até mesmo da Avianca Brasil.

Amendoim combina com cerveja?

Já no voo de retorno as opções foram as mesmas, porém, trocaram os sabores dos sanduíches de frango e ofereceram a opção da cerveja Stella Artois, prontamente aceita por maioria dos passageiros da Executiva.

É impossível saber se a Azul repetiria esse serviço de bordo em algum voo doméstico em classe especial.

 

Sacórfago

Durante um voo internacional os tripulantes precisam realizar a rotatividade de trabalho, ou seja, há uma divisão de tempo de trabalho (e um limite) para cada pessoa.

Por isso geralmente em aviões de grande porte encontramos o dormitório, chamado também de “sacórfago” pelos que trabalham na área, um local onde a tripulação descansa para depois assumir novamente o voo.

No A330neo ele fica localizado na parte inferior da aeronave, abaixo do piso.

Há 6 camas para comissários(as) no local, e mais duas para pilotos. Você pode conferir mais detalhes sobre essa parte em um vídeo que gravamos, ele estará disponível abaixo.

 

Detalhes de pilotagem da aeronave

Entre a geração antiga A330ceo (A330-200) e o novo A330neo (A330-900neo) as diferenças são pouco notáveis na parte de aviônica.

O avião tem leves diferenças na parte de desempenho, e com certeza a Airbus atualizou o software da aeronave. Porém, ao adentrar o cockpit encontramos basicamente o mesmo layout do A330ceo, que também é semelhante ao A320ceo e neo.

Pilotos Jacques (esquerda) e Marinheiro (direita), que conduziram o voo de Viracopos para Recife.

Os pilotos ressaltaram a suavidade da aeronave para conduzir uma decolagem ou pouso nessa aeronave, com um comportamento do trem de pouso que favorece um toque suave na pista no final da aproximação.

O voo de cruzeiro entre Viracopos e Recife foi realizado com uma altitude de 41000 pés, de acordo com os pilotos, a aeronave estava com muita sobra de performance, possibilitando realizar um voo de aproximadamente 03h30 sempre nesta altitude.

Equipado com os mais modernos motores Rolls-Royce Trent 7000, um projeto baseado em tecnologias do motor que equipa o 787 e o A350 XWB, o A330neo garante um maior nível de eficiência, queimando 18% menos combustível por assento do que as aeronaves concorrentes da geração anterior, como o A330-200 que a Azul utiliza na sua frota.

 

Tripulação excelente

A tripulação foi exemplar nesse voo, todos com uma bagagem muito grande na Azul e também na aviação comercial. Durante todo o período recebemos um excelente tratamento.

O Comandante José Jacques Godoy Jr. é piloto de companhia aérea desde 1998, e entrou na Azul em 2010 na época que a companhia só operava com aeronaves da Embraer, anteriormente ele trabalhava na Trip. Jacques subiu direto para o A330, e atualmente é gerente geral de Flight Standards na Azul, ele que foi responsável por checar se o avião estava habilitado para operar na Azul, ainda em Toulouse.

Já o Marinheiro é responsável pelos manuais da aeronaves na Azul, e também acompanhou o processo de entrega do novo A330neo.

Conversando com os comissários, percebemos que boa parte deles estão há vários anos na Azul, e foram promovidos para o A330 após anos de profissão.

No voo encontramos a Netye Nubya, comissária que explicou toda a galley em vídeo para o Portal Aeroflap, e foi responsável pela confecção dos manuais do A330neo na Azul, ela também é responsável pelo padrão de treinamento dos tripulantes de cabine da Azul.

 

Mais encomendas no futuro

Durante uma entrevista antes do embarque, o Diretor de Alianças da Azul, ressaltou que a companhia planeja encomendar mais aeronaves A330neo no futuro, como forma de substituir os atuais A330-200ceo, da geração antiga.

Você pode conferir a íntegra da entrevista no vídeo abaixo:

 

Vídeo completo da aeronave

 

Esse artigo pode conter partes de opinião do autor.

Algumas fotos do interior foram tiradas na chegada da primeira aeronave, que você pode conferir Clicando Aqui.

Agradecemos toda a equipe de imprensa da Azul, que ajudou nas demandas da Aeroflap sobre esse voo, e por toda a tripulação pelo excelente e descontraído voo entre Viracopos e Recife, vocês com certeza estão entre os melhores profissionais da Aviação Brasileira.