Não há dúvida de que o encolhimento da Avianca Brasil alterou a dinâmica de mercado no mercado doméstico brasileiro, e as três maiores companhias aéreas do país acreditam que a falência da Avianca Brasil criará oportunidades para as transportadoras restantes do país. 
 
As empresas GOL, LATAM Airlines Brasil e Azul têm competido pelos ativos da Avianca Brasil, mas o governo suspendeu um leilão de ativos, incluindo slots nos aeroportos, e agora o destino da Avianca Brasil é uma incógnita. 
 
Enquanto o governo se arrisca a reescalonar um leilão ou alguma outra forma de dispersão de ativos, a Avianca Brasil continua a definhar com a suspensão das suas operações.
 
Como a incerteza sobre o destino da Avianca Brasil não mostra sinais de desaparecer no futuro próximo, as companhias aéreas do Brasil mantêm uma visão razoavelmente positiva do mercado doméstico, apesar dos ventos contrários criados pelo aumento dos preços dos combustíveis e pela desvalorização da moeda.
 
 
 
Participação da Avianca no Brasil cai à medida que sua frota diminui 
 
As viagens domésticas no Brasil aumentaram 4,3% no primeiro trimestre de 2019 (1T2019), com crescimento de 3,4% na capacidade, comparando com o mesmo período de 2018.
Com aproximadamente 121 aviões do modelo 737 NG e MAX, GOL continua líder no doméstico.
A GOL continua líder no mercado doméstico, com participação de 36%. A participação da LATAM Airlines Brasil caiu 2,8 p.p. no ​​comparativo com 2018, para 30,8%, e a participação da Avianca Brasil despencou 12,2%, para 11,0%, com os seus ASKs caindo 7,5%. 
 
Participação do tráfego doméstico no Brasil por companhia aérea no 1T2019 
 
Participação aérea no mercado doméstico
GOL36%
LATAM Airlines Brasil30,8%
Azul21%
Avianca Brasil11,9%
 
A Avianca Brasil entrou em regime de Recuperação Judicial em dezembro de 2018, e desde então a companhia aérea teve algumas aeronaves retomadas e devolveu outras para os arrendadores.
 
O banco de dados da frota da CAPA mostra que a companhia aérea tinha seis aeronaves em sua frota operacional no final de maio de 2019, no mesmo período de 2018 a empresa tinha cerca de 50 aeronaves operacionais.
 
A redução de capacidade está, de certa forma, fortalecendo o mercado doméstico de aviação no Brasil.
 
Recentemente, executivos da Azul observaram que, em determinado momento, a Avianca Brasil detinha aproximadamente 13% a 15% de participação de mercado no Brasil, algo que caiu para 11% em março.
 
“Acreditamos que em todos os cenários apenas cerca de metade dessa capacidade voltará ao mercado, o que eu acho muito saudável para o Brasil”, disse o chefe de receitas da Azul, Abhi Shah. 
 
Nesta última quarta-feira a Azul apresentou um crescimento incrível de 32,8% na demanda no mercado doméstico, enquanto a companhia só adicionou 20% de capacidade a mais no mercado. Foi o maior crescimento entre todas as empresas brasileiras de aviação no mês.
 
 
 
LATAM Airlines aumenta capacidade doméstica no Brasil em 2019, enquanto Avianca Brasil encolhe
Citando um ambiente de demanda saudável e os “declínios recentemente feitos por um de nossos concorrentes”, a administração da LATAM Airlines Brasil disse que a companhia está aumentando sua projeção de crescimento de capacidade de assentos no mercado doméstico no Brasil em 2019, de 5% a 7%, antes a projeção de crescimento da companhia era de 2% a 4%. 
 
O Grupo LATAM Airlines está encolhendo seu crescimento internacional planejado, e só deve crescer 2% neste mercado em 2019, uma redução das estimativas anteriores que apontavam uma expansão de 3% a 5%.
 
O crescimento total da capacidade da empresa para 2019 é agora projetado em 3% a 5%, contra as estimativas anteriores de um aumento de 4% a 6%. Nesses números está incluso o mercado doméstico de cada filial.
 
A LATAM Brasil firmou um acordo de realizar o leasing de 10 aviões do modelo A320ceo, antes operados pela Avianca. A companhia não divulgou oficialmente onde essas aeronaves serão utilizadas, cerca de três delas já receberam a pintura da LATAM Brasil, e cinco devem entrar como “expansão” da frota da filial brasileira, de acordo com fontes do setor.
 
 
 
A reorganização da Avianca no Brasil está imprevisível
 
A proteção à falência da Avianca no Brasil tem sido complexa e um pouco temperamental.
 
No início de 2019, a Azul firmou um contrato não vinculante para adquirir ativos significativos da Avianca Brasil, pagando USD105 milhões por 30 jatos Airbus A320 e 70 slots de aeroportos, que incluíam slots em Congonhas.
 
A Azul atualmente não atende a ponte aérea SP-RJ a partir de Congonhas, que é o principal mercado para viajantes de negócios que usam o transporte aéreo para o Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. 
 
Posteriormente, o maior credor da Avianca no Brasil, o fundo de hedge Elliot Management, fechou um acordo com a LATAM e a GOL para oferecer US$ 70 milhões para os ativos da Avianca Brasil em um leilão originalmente previsto para o início de maio de 2019. A empresa foi dividida em sete segmentos para serem leiloados. 
 
Após uma contestação legal da Swissport Brasil, a justiça suspendeu temporariamente o leilão. A Swissport alegou que a transferência de slots era proibida pela ANAC.
 
Ao mesmo tempo, a Azul apresentou um novo lance de US$ 145 milhões para alguns slots, incluindo os slots da Avianca Brasil entre Congonhas e o Aeroporto Santos Dumont.
 
Antes de apresentar seu último lance para as vagas da Avianca Brasil, a gerência da Azul declarou que “Congonhas teria sido uma cereja incrível no topo do bolo para mostrarmos nosso produto ao mercado”
 
Não houve nenhuma indicação de um reescalonamento do leilão, mas a Reuters está relatando que Elliot se opôs à última oferta da Azul, o que complicou ainda mais o destino da Avianca Brasil.
 
Os executivos da LATAM afirmaram que, se não houver ação sobre os slots da Avianca Brasil nos aeroportos, o processo se enquadrará nas regras atuais, o que significa que elas serão devolvidas a um pool e distribuídas para as “empresas atuais”. Como resultado, a Azul poderia perder uma oportunidade em Congonhas. 
 
 
 
Mercado interno do Brasil permanece em terreno sólido, impulsionado pela demanda sustentada 
Enquanto a indústria aguarda o resultado da falência da Avianca Brasil, o mercado doméstico no Brasil permanece sólido apesar do aumento das despesas com combustível e da pressão cambial.
 
A LATAM calculou que a taxa de câmbio média entre Real (BRL) e o Dólar Americano (USD) para o 1T2019 era de R$ 3,77 por cada dólar. Sua receita unitária no Brasil, denominada em BRL, cresceu 7,2% no 1º trimestre de 2019, mas caiu 7,2%, quando medida em dólares.
 
A empresa viu as tarifas aumentarem e está prevendo um crescimento de dois dígitos na receita unitária do BRL, para suas operações domésticas no Brasil durante o 2º trimestre de 2019 (2T2019).
 
As receitas de receita unitária da GOL em relação ao 2T2019 serão ligeiramente infladas devido a uma greve de caminhoneiros no Brasil em meados de maio de 2018, que pressionou a demanda. Mas a companhia aérea está registrando fortes reservas e rendimentos no mercado interno do Brasil. 
 
A Azul também comentou que registrou um excelente mercado de reservas de passagens em abril de 2019 e maio de 2019, observando um equilíbrio favorável entre demanda e tarifas. 
 
 
 
As companhias aéreas brasileiras devem continuar a manter o crescimento racional da capacidade
As companhias aéreas domésticas do Brasil mantiveram uma visão positiva do mercado doméstico nos últimos meses, à medida que o país lentamente sai de uma recessão. 
 
Por enquanto, parece que essas companhias aéreas estão atingindo um certo nível de tração de tarifas no mercado, uma vez que a Avianca Brasil encerrou suas operações. 
 
Há pouca dúvida de que, em algum momento, os ativos da Avianca Brasil serão absorvidos pelas demais companhias aéreas, e parece que essas operadoras pretendem manter algum grau de crescimento racional de capacidade no Brasil. 
 
 
 
Alterações – Aeroflap
Fotos – Aeroflap