Y-20U PLAAF China
O Y-20U é novo avião-tanque da China, baseado no cargueiro Xi'an Y-20. Foto via @louischeung_hk.

No último domingo (28), a China estreou seu novo avião-tanque na Zona de Identificação de Defesa Aérea de Taiwan (ADIZ). Pela primeira vez, o Y-20U, versão de reabastecimento em voo (REVO) do cargueiro pesado Y-20, voou naquele espaço aéreo. 

O fato também marcou um novo pico da movimentação chinesa na região. Ao todo, 27 aeronaves entraram na porção sudoeste da ADIZ no domingo, informou o Ministério da Defesa de Taiwan. Foram oito caças J-16, cinco caças J-10, quatro caças J-11, cinco bombardeiros H-6, dois KJ-500 de alerta antecipado, um Y-9 de guerra eletrônica e o Y-20U.

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O maior movimento até agora foi registrado em outubro, quando 56 aeronaves voaram pela ADIZ em menos de 24 horas. Entre os dias 01 e 05 de outubro, 150 aeronaves da PLAAF (Força Aérea do Exército de Libertação Popular da China) estiveram presentes na ADIZ de Taiwan. 

As Forças Armadas de Taiwan responderam com o envio de aeronaves de caça, alerta de baterias de mísseis e avisos via rádio. Apesar de parecer apenas mais um episódio da constante saga de aviões chineses na Zona, a presença do Y-20U mostra um avanço chinês na sua capacidade de REVO. 

O que é o Y-20U da China

Como explicado anteriormente, o Xi’an Y-20U é uma versão de REVO do cargueiro pesado Y-20. Apesar de soar simples, o Y-20U é um dos ativos que mais representa as ambições da China de projetar poder além de suas fronteiras. 

Atualmente, a PLAAF dispõe de aeronaves H-6 e Il-78 Midas para as tarefas de reabastecimento em voo. Contudo, o H-6 tem uma autonomia e capacidade combustível pequenas e apenas três Il-78 estão disponíveis na frota, explica o The War Zone

Com mais aeronaves de reabastecimento, aviões de caça, ataque e bombardeio poderão voar por mais tempo e maiores distâncias. O próprio Y-20 de carga também representa parte desta ambição, por conta de seu alcance e capacidade de transporte. Além disso a China quer equipar o Y-20 com motores mais novos e mais potentes.

Em setembro, o Y-20U foi flagrado em voo com um caça chinês, com uma de suas mangueiras estendidas. O jato possui uma mangueira em cada ponta de asa e mais uma que se estende a partir do lado esquerdo da fuselagem traseira. Tal configuração é similar ao próprio Il-78, bem como sua capacidade de combustível de 90 toneladas.

Dificuldades em adquirir mais unidades do Il-78 estão entre os fatores que levaram ao desenvolvimento do Y-20U, além da conhecida busca da China por independência na indústria aeronáutica.

Qualquer que seja o tamanho atual da frota de Y-20U, é provável que cresça de forma constante no curto prazo. A China também já aumentou significativamente a produção do Y-20 de transporte.

Y-20 China
Xian Y-20. Foto: China Military Online

Tais desenvolvimentos não são ignorados. Na última revisão dos militares dos EUA sobre desenvolvimentos militares e de segurança chineses para o Congresso, o Y-20U foi notado: “A PLAAF está desenvolvendo o Y-20U, uma nova variante de reabastecedor de seu grande […] Y-20, que permitirá à PLAAF expandir significativamente sua frota de aviões-tanque e melhorar suas capacidades de projeção de potência.”

Esse mesmo relatório destacou a importância do Y-20U no suporte às futuras operações de aviação de longo alcance que podem incluir variantes reabastecíveis do H-6 e KJ-500. Como já observado, os tipos existentes de H-6 e KJ-500 participaram dos voos recentes na ADIZ de Taiwan.

“A PLAAF está expandindo sua frota de caças reabastecíveis, desenvolvendo variantes reabastecíveis do bombardeiro H-6 e da aeronave KJ-500 AEW&C, e testando uma variante do tanque de transporte Y-20 de carga pesada”, aponta o relatório. “Juntas, essas novas aeronaves expandirão visivelmente a capacidade da China de conduzir operações aéreas ofensivas de longo alcance.”

Tensa escalada na região

F-16C de Taiwan interceptando um bombardeiro chinês H-6. Foto: Força Aérea Taiwanesa.

A cada dia, às águas do Oceano Pacífico que banha a região esquentam cada vez mais. Taiwan é vista como uma nação rebelde por Pequim, e os Estados Unidos mantém uma presença constante na região. 

A China já afirmou diversas vezes que tomará a ilha à força se for necessário, enquanto Taiwan responde que se defenderá a qualquer custo. No último mês, Chiu Kuo-cheng, Ministro da Defesa de Taiwan, disse que a China estará pronta para tomar a ilha a partir de 2025. Chiu também afirma que as tensões militares com o país são as piores em mais de 40 anos. 

Após a incursão de aviões chineses no domingo, Chiu disse que o objetivo da China é desgastar Taiwan, mas a Ilha é capaz de responder.

“A intenção deles é exaurir lentamente, para que saibam que temos esse poder. Nossas forças nacionais mostraram que, embora você possa ter esse poder, temos contramedidas”, disse o Ministro, de acordo com a Reuters.

J-10C China
J-10C com um míssil ar-ar SD-10 inerte. Foto: Liu Chuan.

Em outro recente movimento, a PLAAF implantou caças J-10C em uma base aérea no leste da província de Guangdong, no sul da China. Lá estavam seadiados nove caças J-7E (versão chinesa do MiG-21), que agora foram aposentados e substituídos pelos J-10C de 4.5 geração, informou a China Central Television (CCTV) no dia 21. 

Contudo, a troca de aeronaves também é vista como uma resposta chinesa à recente implantação de Taiwan de um esquadrão completo de caças F-16V Viper Block 70, evento que ocorreu no dia 18/11. 

F-16V Block 70 Tsai Ing-wen Taiwan
A Presidente Tsai Ing-Wen no cockpit de um F-16V de dois assentos durante a cerimônia na Base Aérea de Chiayi. Foto: Ann Wang/Reuters.

Esta série de desenvolvimentos na região mostram que a China deve se tornar ainda mais beligerante com Taiwan, à medida que a ilha reúne o apoio popular do Ocidente, aponta o Eurasian Times.

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