Ao longo de anos de serviço na USAF, o clássico bombardeiro B-52 ou BUFF, como também é conhecido colecionou muitos momentos marcantes.

Uma delas poderia ser enredo de um de filme, mas foi bem real e completou neste 57 anos por agora.

Em janeiro de 1964, o piloto de testes da Boeing, Chuck Fisher, bem como sua tripulação de três homens embarcaram em um B-52H de numeração 61-0023 e partiram para uma missão que com certeza foi inesquecível para todos.

A grande aeronave partir então de Wichita, Kansas, para uma missão cujo o objetivo era verificar o efeito no B-52 causado por turbulências de alta altitude. Para que se tivesse uma melhor coleta de dados foram instalados 20 acelerômetros e 200 sensores na aeronave.

 

O evento

Tudo estava seguindo normalmente, inclusive a tripulação deu uma pausa para o almoço enquanto sobrevoavam a região norte do Novo México a 14300 pés.

De repente uma violenta turbulência balançou o avião e pegou os tripulantes de surpresa, como relata o navegador. “Quando esse evento ocorreu, foi tão violento que fui literalmente levantado e jogado contra o lado esquerdo do avião e por cima da mesa de navegação”, disse James Pittman, navegador.

Os pilotos rapidamente tentaram manter o controle da aeronave que por um momento começou a virar sem controle para a direta, quase realizando um “Roll ou Tonneau”.


Após o susto os aviadores conseguiram retomar o controle da aeronave, mas não imaginavam o que realmente tinha acontecido.

Por uma questão de segurança, a tripulação pediu apoio de um jato da força aérea. O caça em questão foi um Super Sabre 100 que logo chegou próximo ao B-52 e relatou o que estava vendo.

O que o caçador viu foi cerca de 83% do estabilizador vertical perdido, isso mesmo o B-52 quase que perdeu seu estabilizador vertical (Veja na foto abaixo).

 

Procedimentos de segurança

B -52 na Base da Força Aérea de Blytheville Foto: Travis A. Ratermann

Assim que foram informados do grande dano físico, os pilotos mudaram a rota da aeronave para a proa da sede da Boeing em Wichita, além disso, pediram apoio de engenheiros em solo, estes recomendaram que fosse baixado o trem de pouso traseiro para compensar a perda do estabilizador.

No entanto, o mau tempo em Wichita não possibilitou o B-52H a fazer um pouso de emergência, então a tripulação seguiu seu curso para a Base da Força Aérea de Blytheville, no Arkansas.

Com todos os cálculos e preparativos feitos o B-52 sem parte de seu estabilizador vertical pousou e acionou o paraquedas de frenagem, conseguindo assim parar na pista da base de Blytheville, cerca de seis horas após o ocorrido.

Vale ressaltar que o B-52H em questão estava com um grande míssil de cruzeiro AGM-28 Hound Dog de ponta nuclear (Veja foto abaixo).

Não bastando o fato mencionado acima, apenas três dias após o voo do B-52H, um episódio parecido aconteceu com outro B-52, no entanto, esse do modelo D.

Neste caso novamente um estabilizador vertical foi perdido em meio a uma turbulência de inverno. Porém, diferente do primeiro caso, neste a tripulação precisou acionar seus assentos ejetáveis ​​e sair da aeronave, contudo, um tripulante não conseguiu sair do avião.

Por fim ao achar os destroços da aeronave foram encontradas duas bombas termonucleares que ficaram intactas.

 

O fim do B-52 sem cauda (61-0023)

B-52H sem seu estabilizador vertical- Foto: Arquivo USAF

Foi concluído que a aeronave sofreu fortes rajadas, sendo até maiores do que as registradas anteriormente por outra grande aeronave.

Os registros da USAF aliados aos da tripulação foram “a decisão de uma combinação de alterar o centro de gravidade movendo o combustível a bordo, mudando as configurações do motor e pequenas quantidades de freios a ar poderia dar à tripulação a chance de combate de que precisava. O plano funcionou e deu ao piloto uma pequena medida adicional de controle enquanto o jato avançava a pouco mais de 200 nós. ”

Com os eventos ocorridos as autoridades julgaram necessário reforçar a estrutura da aeronave, que foi projetada para realizar.

Por fim o lendário B-52 que pousou sem cauda foi levado ao depósito da USAF na Base Aérea Davis-Monthan, mais especificamente na sessão “Linha da Celebridade”.

Base Aérea Davis-Monthan

 

“BUFF” na ativa por um longo tempo

B-52 Stratofortress-Foto: USAF pelo sargento Emerson Nuñez

Com mais de 60 de serviços prestados a USAF em diversas ocasiões pelo o mundo o futuro do B-52 está longe de acabar, isso pelo motivo dos militares ainda estarem interessados na aeronave

Os planos da USAF é usar este clássico de oito motores até 2050, tornando-se assim a única aeronave a voar por cem anos.

Isso acontecendo ou não, já é de conhecimento geral que a USAF irá fazer uma senhora atualização em seus B-52s. A começar pela aviônica que será modernizada, passando por novos motores que serão instalados, novos sistemas para armazenamento e lançamentos de mísseis e bombas, entre outras atualizações.

Acesse nossa matéria especial e veja algumas características da aeronave que a torna tão especial

 

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