Airbus A330 MRTT FAB Notícias Aviação Força Aérea Brasileira

A Força Aérea Brasileira (FAB), abriu nesta quinta-feira (27) uma licitação para a aquisição de dois Airbus A330-200. O documento foi publicado no Diário Oficial da União, oficializando o processo de compra das aeronaves no âmbito do Projeto KC-X3.

De acordo com a matéria da Revista Força Aérea, a licitação internacional visa a aquisição de duas aeronaves de passageiros A330. Mais tarde, os jatos serão convertidos em aviões tanque multimissão no padrão MRTT (Multi Role Tanker Transport) nas instalações da Airbus em Getafe, na Espanha. Os novos A330 da FAB terão como sede a Base Aérea do Galeão no Rio de Janeiro, onde serão empregados pelo Esquadrão Corsário (2º Esquadrão do 2º Grupo de Transporte). 

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Um dos requisitos é que as aeronaves tenham pouco menos de oito anos de idade, ou seja, fabricadas depois de 2014, além de serem compatíveis para a futura conversão militar. A licitação publicada no Diário Oficial da União tem o registro de número 67102.220004/2022-59, tendo como responsável a Comissão Aeronáutica Brasileira em Washington (CABW). 

As aeronaves serão inicialmente designadas C-330, possivelmente sendo redesignadas KC-330 após a conversão em avião-tanque na Espanha, trabalha que leva em torno de 18 meses de acordo com a Airbus. Além do reabastecimento de outras aeronaves, o A330 MRTT pode realizar missões de transporte de passageiros, carga e evacuação aeromédica. O modelo já foi encomendado pela Austrália, França, OTAN, Arábia Saudita, Singapura, Coréia do Sul, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido.

Veja mais: Airbus A330 MRTT: O possível futuro reabastecedor da Força Aérea Brasileira

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Segundo a RFA, a conversão dos aviões será coberta por outro contrato. Ainda em maio de 2021 a FAB recebeu autorização do Ministério da Defesa para sondar o mercado em busca de duas aeronaves usadas para a missão de reabastecimento em voo (REVO). 

Como a FAB não opera aviões com o sistema lança-receptor, provavelmente os A330 serão convertidos para o padrão com três pontos de reabastecimento. Nesta configuração – a mesma usada pelos A330 Voyager KC.3 da RAF – a aeronave é equipada com dois pods Cobhan 905E nas pontas das asas e uma estação na traseira com o sistema FRU-805E (Fuselage Refuelling Unit). Os pods 905E transferem 1300 quilos de combustível por minuto, enquanto a FRU transfere 1.800 quilos por minuto. 

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A330 MRTT A400 REVO FRU
A330 Voyager KC.3 em ensaios de REVO com o A400, empregando a FRU.

Os futuros C-330 serão os substitutos do Boeing C-767 matrícula FAB 2900, um 767-300ER que a Força Aérea operou sob arrendamento entre 2016 e 2019. O desejo inicial da FAB era converter dois 767 para o padrão KC-767, chegando a contratar, em 2013, a Israel Aerospace Industries (IAI) para cumprir o serviço. No entanto, o contrato não seguiu em frente por razões orçamentárias. 

A aquisição das novas aeronaves visa preencher a lacuna deixada com a aposentadoria dos Boeing KC-137, popularmente chamados de ‘Sucatão’. Eram quatro aeronaves que cumpriam a missão de transporte e reabastecimento em voo estratégico, capazes de reabastecer os caças Mirage 2000 (também aposentado), F-5 e A-1 em missões de longo alcance, multiplicando a autonomia desses vetores.

O C-767 FAB2900 preencheu a lacuna parcialmente. Foto: Sargento Manfrim/FAB.

As grandes dimensões do Brasil, junto com a missão constitucional da FAB, impõem a necessidade de uma aeronave deste porte. O aluguel do C-767 apenas preencheu parte da lacuna, já que o avião não realizava missões de reabastecimento em voo.

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Atualmente, os únicos vetores de REVO da FAB são dois KC-130M Hércules, matrículas 2461 e 2462, Esquadrão Gordo (1º/1º GT). Futuramente os KC-390 Millennium deverão cumprir esta missão também. Contudo, cabe lembrar que ambos são aviões táticos e não estratégicos como os novos A330. Isso se traduz em serem mais flexíveis mas transportando menos combustível e tendo uma autonomia menor.